Serie A passa por ruim momento de atacantes italianos e impacta seleção

As reclamações do técnico da Azzurra, Roberto Mancini, sobre a falta de opções no setor ofensivo e a presença de apenas um italiano entre os 10 primeiros colocados na artilharia da atual edição da Serie A mostraram que a principal divisão do calcio vem enfrentando uma dura crise de goleadores naturais do “país da bota”.

Após sete rodadas disputadas, o único italiano que conseguiu marcar presença nas primeiras posições da artilharia foi Ciro Immobile, da Lazio, que balançou as redes em cinco ocasiões. Tirando o experiente centroavante, nenhum jogador natural do “Belpaese” marcou mais do que dois gols no torneio e os números não deixaram de preocupar o comandante da tetracampeã mundial.

A Itália sempre teve grandes artilheiros, mas certamente é anômalo ver que, além do Immobile, existem apenas atacantes estrangeiros na artilharia da Serie A. O fato é que há algum tempo, as nossas grandes equipes possuem muitos centroavantes de fora do país e isso vem criando uma grande dificuldade. Espero que não seja um processo irreversível e que dois ou três nomes possam surgir em breve“, declarou Mancini em uma coletiva de imprensa em Coverciano.

Aos 32 anos de idade, Immobile já foi artilheiro quatro vezes da Serie A e pensou em deixar a Azzurra após a derrota para a Macedônia do Norte, mas uma conversa com Mancini mudou sua decisão. Em uma entrevista à “Rádio RAI“, o prolífico centroavante italiano confirmou que a seleção ainda precisa de seus serviços, embora não seja tão eficaz vestindo a pesada camisa da atual campeã europeia.

Em 55 partidas disputadas pela Itália, o atacante laziale anotou apenas 15 gols e passou os últimos sete jogos em branco, principalmente os empates em contra a Suíça e Bulgária pelas eliminatórias e a fatal derrota por 1 a 0 para os macedônios em Palermo. A falta de eficácia de Immobile e de outros centroavantes da seleção, como Andrea Belotti e Lorenzo Insigne, foi bastante questionada na imprensa local, tanto que Mancini precisou recorrer ao ítalo-brasileiro João Pedro e ao quase esquecido Mario Balotelli, pois os dois viviam uma boa fase no Cagliari e no Adana Demirspor, respectivamente.

Na edição passada da Serie A, oito jogadores italianos marcaram mais de 10 gols no campeonato. O artilheiro foi Immobile e ele continua marcando importantes tentos para a Lazio na atual temporada, mas Gianluca Scamacca (West Ham), João Pedro (Galatasaray) e Lorenzo Insigne (Toronto) foram embora do país, enquanto Gianluca Caprari (Monza), Domenico Berardi (Sassuolo), Andrea Pinamonti (Sassuolo) e Francesco Caputo (Sampdoria) ainda não conseguiram ser tão eficientes.

Para os próximos encontros válidos pela Liga das Nações, Mancini chamou oito centroavantes, mas nenhum deles jogam pelos três maiores campeões do futebol da Itália. Os únicos lembrados pelo técnico que atuam no Belpaese foram Immobile, Giacomo Raspadori (Napoli), Matteo Politano (Napoli), Matteo Cancellieri (Lazio) e Alessio Zerbin (Napoli), que vão acompanhar Scamacca, Wilfried Gnonto (Leeds United) e Vincenzo Grifo (Freiburg).

Embora promissores, Cancellieri ainda não encontrou o caminho do gol pela Lazio, enquanto Zerbin anotou nove na última Serie B pelo Frosinone. O jovem Raspadori teve boas atuações pelo Sassuolo ao fazer 10 tentos e tenta se encontrar atualmente em Nápoles, já o mais experiente Politano balançou as redes apenas três vezes em 2021/22. Gnonto e Scamacca ainda não celebraram gols na Inglaterra e Grifo marcou três na Bundesliga.

Na Serie A, o Milan tem seu ataque liderado pelo português Rafael Leão e o francês Olivier Giroud, sem esquecer do sueco Zlatan Ibrahimovic, enquanto a rival Inter de Milão possui o belga Romelu Lukaku, o bósnio Edin Dzeko e o argentino Lautaro Martínez como principais forças ofensivas. Em Turim, a Juventus vem dependendo dos gols do polonês Arkadiusz Milik e, principalmente, do sérvio Dusan Vlahovic.

Se expandirmos a lista, veremos que a extremamente ofensiva Atalanta possui os colombianos Duván Zapata e Luis Muriel como principais atacantes. A Roma, por sua vez, tem o inglês Tammy Abraham, o argentino Paulo Dybala e o italiano Belotti, mas “Il Gallo” ainda não marcou na Serie A pelo clube da capital.

A Itália, que já teve nas últimas duas décadas seu setor ofensivo composto por importantes nomes como Filippo Inzaghi, Christian Vieri, Alessandro Del Piero, Francesco Totti e Luca Toni (para não me estivar muito, pois a lista é enorme), está passando por um processo de reformulação e precisa produzir bons goleadores nos próximos anos para tentar saborear novamente tempos dourados. No entanto, apenas o tempo dirá se a nova safra trará excelentes resultados.

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