Eredivisie 2022/23, os relatos da 7ª rodada

Utrecht 0x0 NEC (sexta-feira, 16 de setembro)

Sim, os dois times criaram chances de gol. Mas pararam em duas ótimas atuações dos goleiros. A começar pelos oito minutos: Hidde ter Avest cabeceou, mas Jasper Cillessen estava atento na meta para pegar. Mais concreta foi a chance que o NEC teve aos 35′: Magnus Mattson ficou cara a cara com o goleiro Vassilis Barkas, que evitou o gol à queima-roupa. E Cillessen reapareceu no segundo tempo, aos 54′, impedindo Jens Toornstra de fazer o 1 a 0 com grande defesa. O placar ficou inalterado mesmo. Em grande parte, por mérito dos goleiros. Convocado para a seleção masculina da Holanda, na reta final de preparação para a Copa, Cillessen deixou claro à ESPN dos Países Baixos que está em grande forma – e quer continuar assim: “Eu não vou passar férias nas datas FIFA”. Com o que defendeu, nem precisava falar.

Sparta Rotterdam 2×1 Groningen (sábado, 17 de setembro)

Mijnans (74′), Van Crooij (90′) – Pepi (62′)

Em que pesassem chutes do Sparta Rotterdam aqui e ali (e até mesmo um gol anulado, de Adil Auassar), o primeiro tempo em Roterdã foi de poucas emoções. Mas o segundo compensou plenamente. A começar pelo Groningen – e mais precisamente, por Ricardo Pepi. Em sua primeira partida como titular, o norte-americano emprestado pelo Augsburg-ALE – e nome encaminhado da seleção de seu país na Copa do Mundo – cabeceou para o 1 a 0 dos visitantes. Mas quem com cabeceio feriu, com cabeceio seria ferido, pois Sven Mijnans empatou para o Sparta também com a testa. Só que o lance mais importante (e controverso) do jogo veio no pênalti da virada e da vitória: Mike te Wierik tentou tirar a bola num carrinho, Tobias Lauritsen pulou dele, caiu… e o juiz Danny Makkelie marcou o pênalti, mesmo que Lauritsen não tivesse sido atingido. Nem mesmo o alerta do VAR mudou a opinião de Makkelie. E Vito van Crooij bateu o penal para o 2 a 1.

Vitesse 1×1 Volendam (sábado, 17 de setembro)

Bialek (49′) – Mühren (21′)

Como em todo setembro de jogo em Arnhem, foi dia de homenagens do Vitesse – homenagens aos veteranos da Batalha de Arnhem, travada durante a Segunda Guerra Mundial (entre 17 e 26 de setembro de 1944). Porém, com bola rolando, o Volendam é que começou mandando. Fez o 1 a 0 num lance atribulado: Robert Mühren bateu, o goleiro Kjell Scherpen deu o rebote, Mühren completou, e a bola ainda desviou em Carlens Arcus antes de entrar (por algum tempo, o gol foi atribuído a ambos – depois, a autoria ficou com Mühren). Claro que o Vites foi em busca do empate, mas aí parou no goleiro Filip Stankovic: o sérvio espalmou chutes de Arcus – este ainda bateu na trave -, de Maximilian Wittek, de Sondre Tronstad… até a triangulação que levou ao 1 a 1, já no segundo tempo: Kacper Kozlowski lançou, Gabriel Vidovic cruzou, Bartosz Bialek fez o seu primeiro gol pelo Vitesse. E ficou no placar o empate, deixando inalterada a situação (difícil) de ambos na tabela.

RKC Waalwijk 5×1 Cambuur (sábado, 17 de setembro)

Kramer (32′, 89′), Tol (contra, 77′), Bakkali (82′), Bel Hassani (89′) – Jacobs (18′)

Eram apenas 7min53s de jogo em Waalwijk quando o Cambuur teve o seu primeiro grande problema – após cometer falta duríssima (carrinho violento no tornozelo de Julen Lobete), Mees Hoedemakers levou o cartão vermelho diretamente. Ainda assim, no primeiro chute dos visitantes, Jamie Jacobs fez 1 a 0. Só que o próprio Jacobs desviou com a mão um chute de Pelle Clement na área, e o juiz Sander van der Eijk marcou o pênalti – Michiel Kramer cobrou, 1 a 1. De quebra, no último minuto do primeiro tempo, mais um carrinho duro (Alex Bangura em Julian Lelieveld), mais uma revisão no vídeo… e mais um cartão vermelho para o Cambuur – aliás, dois, porque os protestos do técnico Henk de Jong também lhe renderam a expulsão. Mesmo com nove em campo, contudo, a resistência do time de Leeuwarden foi notável. Até quando o zagueiro Marco Tol cometeu o gol contra da virada do RKC Waalwijk. E aí, bastou: nos últimos dez minutos, o time da casa rumou para a goleada. Não é consolo para os visitantes, mas até que demorou para a vitória dos mandantes.

Fortuna Sittard 1×0 Excelsior (sábado, 17 de setembro)

Vita (87′)

A troca de técnico causou efeito no Fortuna Sittard: no primeiro jogo sob o comando de Julio Velázquez, o time da casa começou bem. Mas aos poucos, o Excelsior é que dominou a partida no primeiro tempo – tendo um chute de Couhaib Driouech, mandando a bola na trave, como grande símbolo disso. O Fortuna ainda reagiu no segundo tempo, via seu grande e óbvio destaque, Burak Yilmaz, tentar duas vezes – em uma a bola saiu, no outro foi detida pelo goleiro Stijn van Gassel. E quando Mats Seuntjens foi expulso, aos 78′, pareceu que o time da casa amargaria um tropeço. Mas só pareceu: um ataque rápido, chute de Burak Yilmaz rebatido por Van Gassel, e Rémy Vita aproveitou a sobra para o 1 a 0 salvador. Foi a primeira vitória do Fortuna Sittard na temporada, para tirá-lo da última posição.

Go Ahead Eagles 2×0 Emmen (domingo, 18 de setembro)

Edvardsen (31′, 57′)

Oliver Edvardsen foi para o Go Ahead Eagles o que o Emmen não teve: alguém que concretizou as chances em gols. No primeiro, ele ajeitou o passe de Willum Willumsson e tocou na saída do goleiro; no segundo, fez tudo sozinho – um chute colocado. E Sylla Sow ainda tentou alguma parcela de destaque, ao marcar gol aos 85′. Mas estava impedido, e a jogada foi anulada. Sem problemas: Edvardsen já se convertera na cara da segunda vitória seguida do Go Ahead Eagles na temporada.

PSV 4×3 Feyenoord (domingo, 18 de setembro)

Branthwaite (16′), Gakpo (25′), Til (47′), Obispo (83′) – Idrissi (3′), Danilo (42′), Kökcü (73′)

Quando Philipp Max errou o recuo de bola, e Alireza Jahanbakhsh passou para Oussama Idrissi chutar no canto direito, fazendo 1 a 0 para o Feyenoord em Eindhoven, já aos três minutos de jogo, duas coisas ficaram claras: seria um ótimo clássico, com os erros defensivos alimentando a emoção em campo. No começo, o Feyenoord dominou o ataque, pressionando demais uma defesa do PSV que estava débil. Porém, numa bola parada (escanteio), Cody Gakpo cobrou, o zagueiro Jarrad Branthwaite – titular inesperado – desviou com estilo, quase de calcanhar, e empatou. E aí, foi a vez do Stadionclub ter um erro: Javairô Dilrosun permitiu o desarme de Ibrahim Sangaré, a bola foi a Guus Til, e ele passou para o chute cruzado de Gakpo, despontando para ser o destaque da partida: 2 a 1. O PSV teve uma chance, então, para abrir vantagem até maior – Joey Veerman arrematou de média distância, e levou Justin Bijlow a fazer ótima defesa. Chance perdida, o Feyenoord aproveitou a dele: Marcos López (cada vez melhor na lateral esquerda) cruzou, Armando Obispo rebateu fracamente, e o brasileiro Danilo completou para o 2 a 2. A animação continuou no segundo tempo. Aliás, logo aos dois minutos: Gakpo cruzou – de novo! -, e Guus Til desviou para o 3 a 2. Só aí o ritmo alucinante caiu um pouco, até pelo cansaço que os visitantes traziam do jogo da quinta passada pela Liga Europa. O que não quer dizer que o jogo estava decidido. E Orkun Kökcü lembrou isso: o capitão Feyenoorder empatou de novo em grande estilo – chute de fora da área, colocado, no canto esquerdo do goleiro Walter Benítez. O PSV teria forças para buscar a primeira vitória diante dos Rotterdammers, após quatro anos? Teria, graças a um personagem contestado: Gakpo cobrou escanteio (controverso – a bola não teria saído), e Obispo cabeceou para o 4 a 3 da vitória que, depois se saberia, fez do time de Eindhoven o líder de momento. Obispo mal comemorou o gol: o cabeceio fora uma “dividida aérea”, e ele caiu atingido, sentindo dores. Foi substituído por André Ramalho. De todo modo, seu sacrifício valeu muito a pena. Assim como Gakpo, um gol e passes para os outros três, a diferença do PSV no clássico.

Heerenveen 2×1 Twente (domingo, 18 de setembro)

Van Ewijk (28′), Bochniewicz (36′) – Misidjan (2′)

Quando Virgil Misidjan finalizou com classe invejável (chute sutilíssimo, no canto esquerdo do goleiro Andries Noppert), após erro de Milan van Ewijk na saída de bola, parecia a abertura de um jogo com ampla superioridade do Twente. Até porque o time de Enschede sufocou o Heerenveen, acuando o time da casa no campo de defesa, mandando até bola no travessão de Noppert – que fez boas defesas, comprovando o porquê de sua primeira convocação para a seleção masculina da Holanda. Só restava ao Fean esperar por um espaço para o contra-ataque. Um único espaço. E ele apareceu: coube a Van Ewijk se recuperar do erro no primeiro gol, da melhor maneira possível – recebeu a bola e correu com ela até a área, onde chutou cruzado para o empate. Mais um lance isolado, e a virada: Anas Tahiri cobrou escanteio, e Pawel Bochniewicz cabeceou para o 2 a 1 do time da casa. A partir disso, o segundo tempo foi altamente equilibrado. De um lado, foi o Twente buscando o empate – com o ápice na bola que Ricky van Wolfswinkel mandou no travessão. Do outro, o Heerenveen teve uma grande chance para ter vantagem maior no placar: Amin Sarr cruzou, a bola bateu no braço do zagueiro Robin Pröpper, e o pênalti foi marcado – mas Lars Unnerstall pegou a cobrança de Sarr. De todo modo, diante do volume ofensivo do Twente, a vitória do Heerenveen foi até admirável.

AZ 2×1 Ajax (domingo, 18 de setembro)

De Wit (40′), Odgaard (45′ + 6) – Kudus (12′)

Desde o começo, o AZ foi bem mais impositivo no ataque. Tanto que, já aos três minutos, Remko Pasveer (um dos quatro goleiros convocados para a seleção masculina da Holanda) fez ótima defesa. Mas o resguardado Ajax, quando foi à frente, foi para fazer 1 a 0: Daley Blind lançou com precisão, Kenneth Taylor avançou para passar, e Mohammed Kudus marcou o gol pela quinta partida consecutiva. Só que os visitantes de Amsterdã seguiram (até inesperadamente) defensivos, apostando em contra-ataques. Na reta final do primeiro tempo, a opção teve duros golpes. Primeiro, um lançamento de Jordy Clasie, Devyne Rensch deu o bote errado, e Mees de Wit ficou livre para o empate. Depois, nos longos acréscimos da etapa inicial (Bruno Martins Indi teve uma lesão muscular, e foi atendido antes de sair), o zagueiro Pantelis Hatzidiakos deu um chutão que virou lançamento, e Calvin Bassey deu condições de jogo para Jens Odgaard dominar, entrar na área e tocar para a virada do AZ. Que, não contente com a vantagem, quase marcou o terceiro gol no começo do segundo tempo – Tijjani Reijnders e Yukinari Sugawara fizeram Pasveer trabalhar (Sugawara, duas vezes). Só então o Ajax buscou o empate. Mohammed Kudus arrematou na área, e a bola foi tirada em cima da linha por Dani de Wit; Dusan Tadic perdeu uma valiosa oportunidade de chute; e já nos acréscimos, o italiano Lorenzo Lucca cabeceou, para excelente defesa de Hobie Verhulst. O AZ é que foi competente na defesa e no ataque, impondo ao Ajax a primeira derrota nesta Eredivisie.

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