Champions League: enquanto Juventus naufraga, Milan e Napoli seguem firmes

O peso de ver um time do calibre da Juventus zerado na fase de grupos da Liga dos Campeões, principalmente pela forma que perdeu para Paris Saint-Germain e Benfica, pode ser maior do que os excelentes resultados conquistados por Milan e Napoli. No entanto, é necessário destacar as performances das duas equipes italianas na principal competição de clubes do continente europeu.

Em um grupo não muito simples, que tem Chelsea e RB Leipzig, os milanistas empataram diante dos alemães e derrotaram com propriedade o rival croata. Os comandados de Stefano Pioli lideram a chave E e são auxiliados pela ruim campanha dos Blues, pois ainda não venceram na Champions League e serão o próximo rival do atual campeão da Serie A.

Apesar de ter alguns desfalques importantes, como Zlatan Ibrahimovic, Divock Origi e Alessandro Florenzi, o Milan possui uma identidade e joga um futebol bastante objetivo, tanto que ainda não foi derrotado na atual temporada. No San Siro, os torcedores puderam ver um Rafael Leão bem solto, um Olivier Giroud assumindo com propriedade as rédeas do ataque e um Tommaso Pobega que se tornou um herói improvável ao marcar o terceiro gol rossonero na vitória por 3 a 1.

Os problemas físicos dos atacantes do Milan ainda são uma dor de cabeça para Pioli, mas Giroud está aliviando a tensão com gols importantes. As ausências no setor ofensivo ampliaram o tempo de jogo do francês e eliminaram as possibilidades de rotação, tanto que o belga Charles De Ketelaere entrou improvisadamente no lugar do centroavante de 35 anos de idade para poupá-lo.

Pobega, por sua vez, poderia ter saído do Milan na janela de transferências passada, mas Pioli parece que reencontrou o bom futebol do meio-campista. Ao que tudo indica, o técnico rossonero deverá seguir apostando no jovem de Trieste, considerando a crescente confiança que o “Mister” deposita no atleta que se tornou efetivamente uma alternativa.

O Napoli, por sua vez, vive uma excelente fase na temporada e tem uma mentalidade bastante assertiva e objetiva, tanto que lidera o grupo A da Liga dos Campeões. O conto de fadas dos azzurri começou com a surpreendente goleada por 4 a 1 em cima do Liverpool e foi seguida pela vitória de 3 a 0 sobre o Rangers, na Escócia.

A equipe liderada por Luciano Spalletti tem diversos pontos positivos, mas posso destacar a qualidade do plantel, a organização e a velocidade. O Napoli possui um time que sabe sofrer nas partidas e depois tem muita consciência em ferir o adversário, seja qual for ele, como vimos diante dos tradicionais rivais britânicos.

Os napolitanos jogam com confiança e todos se encaixaram muito bem no plantel, principalmente os recém-chegados Khvicha Kvaratskhelia e Kim Min-jae. O futebol demonstrado em campo nem parece ser de uma equipe que foi forçada a passar por uma completa reformulação, pois o clube se despediu de alguns importantes jogadores recentemente, como Kalidou Koulibaly, Lorenzo Insigne e Dries Mertens.

Isso tudo que Napoli e Milan conquistaram até aqui na Liga dos Campeões não se aplica em Turim, mais precisamente na Juventus. É um momento inédito na história da Velha Senhora, pois o clube nunca havia começado o torneio com duas derrotas nos dois primeiros duelos. Em oito jogos na temporada, os piemonteses venceram apenas dois e a falta de resultados positivos abriu uma enorme crise.

Encurralada na Champions League, tanto que precisa vencer de qualquer maneira o modesto Maccabi Haifa, e apenas na oitava colocação na liga italiana, a Juventus está perdida. O zagueiro Leonardo Bonucci diz que está preocupado com o atual momento da equipe, já o técnico Massimiliano Allegri minimiza o péssimo momento para não baquear ainda mais a moral do plantel bianconero.

De qualquer forma, a Velha Senhora necessita encontrar rapidamente uma solução para o problema, pois segue um caminho adverso do traçado entre clube e treinador no momento em que se abraçaram novamente. Enquanto isso, os torcedores estão preocupados e um ar de desconfiança envolveu Turim, tanto que a permanência de Allegri vem sendo fortemente reconsiderada.

Independentemente se for ou não com o multicampeão Allegri no banco de reservas, a Juventus tem capacidade para reverter a difícil situação e evitar uma tragédia maior, mas o tempo está passando rapidamente e, quanto mais demorar essa possível reação, a missão de avançar de fase na Champions League vai se tornando mais complicada.

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