Eredivisie 2022/23, os relatos da 6ª rodada

Volendam 2×3 Go Ahead Eagles (sexta-feira, 9 de setembro)

Eiting (31′), Mühren (90′ + 7) – Adekanye (23′), Kuipers (77′, 83′) 

O destaque do primeiro jogo da rodada poderia ter sido Bobby Adekanye, que abriu o placar para os visitantes. Ou, quem sabe, Carel Eiting – com até mais intensidade: não só porque o meio-campista empatou para o Volendam num belo chute, como aquele foi o milésimo gol da história da “Outra Laranja” no Campeonato Holandês. Mas terminou sendo mesmo Bas Kuipers. Na reta final, em dois escanteios, o zagueiro fez os dois primeiros gols de sua carreira – o segundo, de meia-bicicleta. E mesmo com um gol tardio de Robert Mühren, o Go Ahead Eagles comemorou a primeira vitória na temporada. Graças a um protagonista inesperado.

NEC 1×1 Fortuna Sittard (sábado, 10 de setembro)

Pedro Marques (90′ + 5′) – Özyakup (71′)

Com o espanhol Julio Velázquez, novo técnico, observando as coisas, o Fortuna Sittard esteve muito perto de sua primeira vitória na temporada. Em grande parte, por obra de Oguzhan Özyakup, autor de um belíssimo chute para abrir o placar. Além do mais, o goleiro Ivor Pandur já fizera grande trabalho, evitando que Mikkel Duelund marcasse para o NEC, ainda no primeiro tempo. Porém, nos últimos momentos do jogo, veio a decepção para os visitantes. Em grande parte, por obra de Dogan Erdogan. O volante veio a campo aos 80′, substituindo Arijanet Ferati; levou o primeiro cartão amarelo aos 85′; e aos 89′, Erdogan tomou o segundo amarelo, sendo expulso. O drama seria grande para segurar o NEC, em busca do empate. E num escanteio em que até Jasper Cillessen saiu do gol para tentar o cabeceio salvador, coube ao português Pedro Marques aliviar o time da casa. O Fortuna Sittard até conseguiu seu primeiro ponto na temporada, mas quem se importou, diante de uma decepção assim?

Ajax 5×0 Heerenveen (sábado, 10 de setembro)

Klaassen (4′), Taylor (16′), Kudus (48′, 59′), Brobbey (70′)

Ah, então o Heerenveen era o time de melhor defesa no Campeonato Holandês até esta rodada? Pois bem: o Ajax deu cabo disso em 16 minutos, no primeiro tempo. Davy Klaassen abriu o placar completando cruzamento de Dusan Tadic, Kenneth Taylor fez 2 a 0 num chute em cobrança de falta ensaiada (otimamente), e o Ajax fez o habitual para encurralar seus adversários da Eredivisie em Amsterdã: posse de bola, circulação em campo, defensores se adiantando e criando boas jogadas (aqui, merece citação Calvin Bassey). Ah, no meio do primeiro tempo o Heerenveen reagiu e teve até uma boa chance, com Alex Timossi? Tranquilo: logo que o segundo tempo começou, Mohammed Kudus novamente brilhou no ataque, como já fizera pela Liga dos Campeões, no meio da semana passada. Resolveu bate-rebate na pequena área, no terceiro gol, e completou muito bem uma triangulação para o 4 a 0 (Edson Álvarez lançou, Jorge Sánchez cruzou, Kudus completou). Entrando no decorrer do jogo, Brian Brobbey completou a goleada que configura o melhor começo do Ajax no Campeonato Holandês em 25 anos. Seis jogos, seis vitórias: desempenho que só aumenta a exigência na Liga dos Campeões.

Excelsior 2×1 Emmen (sábado, 10 de setembro)

Tjoe-A-On (61′), Seymor (90′ + 5) – Romeny (45′)

A eficiência parecia nos pés do Emmen, na partida. Se Couhaib Driouech teve gol anulado por impedimento, os visitantes abriram o placar pouco antes do intervalo: Jari Vlak chutou, e o rebote cedido pelo goleiro Stijn van Gassel ficou à feição para Ole Romeny – voltando de lesão – marcar. E a situação poderia ter sido definida logo no começo do segundo tempo, quando Mark Diemers mandou a bola na trave. Não o foi. Sorte do Excelsior. Porque Nathan Tjoe-A-On empatou em grande estilo, num chute forte, no ângulo. E no fim, os caminhos das duas equipes se separaram definitivamente: enquanto o Emmen se compadeceu com o azar de Jeff Hardeveld (o lateral sofreu a terceira lesão de ligamentos no joelho, e saiu chorando de campo), o Excelsior celebrou o primeiro gol do estreante Serano Seymor, virando o placar.

Utrecht 1×0 Vitesse (domingo, 11 de setembro)

Dost (84′)

A bem da verdade, nas poucas tentativas durante os 90 minutos de bola rolando, o Vitesse é que buscou mais o gol. Para a sorte do Utrecht, o goleiro Vassilis Barkas estava a postos: fez boa defesa à queima-roupa, em intervenção de Melle Meulensteen, e desviou o toque de Million Manhoef. Já no segundo tempo, os Utregs apareceram mais, com Bas Dost e Moussa Sylla. Mas nada que empolgasse definitivamente a partida. Pelo menos, Bas Dost colocou fim à seca de gols do Utrecht em casa (eram 264 minutos sem gols no estádio De Galgenwaard), desviando escanteio para aliviar o time anfitrião. A situação na tabela segue abaixo das expectativas, mas pelo menos está melhor do que a do Vitesse, pouco acima da zona de repescagem/rebaixamento.

PSV 1×0 RKC Waalwijk (domingo, 11 de setembro)

Gakpo (90′ + 6)

O PSV mantinha alguma solidez na tabela, mas precisava vencer ainda assim, para apagar as más impressões deixadas – tanto na derrota para o Twente, na rodada passada do Holandês, quanto no empate com o Bodo/Glimt, quinta passada, na estreia pela Liga Europa. Sem o adoentado Ibrahim Sangaré nem o lesionado Luuk de Jong, o time de Eindhoven tentou. Só demorou para conseguir. No primeiro tempo, um gol anulado – Ismael Saibari estava impedido -, além de dois chutes de Cody Gakpo na trave (um em cobrança de falta, outro em chute colocado). No segundo, o PSV temeu cada vez mais o tropeço: chegava mais perto da área, mas raramente fazia o goleiro adversário trabalhar. Do lado do RKC Waalwijk, só um susto, num cabeceio de Michiel Kramer. Mas os Waalwijkers conseguiam manter o empate. Até os acréscimos, quando surgiu um pênalti polêmico (o pé alto do zagueiro Hans Mulder atingiu a cabeça de Xavi Simons – houve quem dissesse que Simons abaixou a cabeça antes). Quando houve uma briga rápida mas intensa – houve até quem visse, algo exageradamente, que Savinho teria socado o goleiro do RKC, Etiënne Vaessen. E quando, finalmente, Cody Gakpo converteu o pênalti para o 1 a 0, salvando o PSV pelo gongo.

Cambuur 0x1 Groningen (domingo, 11 de setembro)

Suslov (71′)

De certa forma, foi outra partida relativamente monótona no domingo. Do lado visitante, houve um grande momento, numa finalização de Paulos Abraham que mandou a bola na trave. Do lado dos mandantes em Leeuwarden, o gol ficou até mais próximo: aos 58′, Silvester van der Water chegou a balançar as redes, mas a jogada foi anulada (Felix Mambimbi, que participara dela, estava impedido). De todo modo, com o Groningen tendo em campo o norte-americano Ricardo Pepi no ataque, foi justamente ele quem começou a jogada do gol: Pepi passou, e Tomas Suslov fez jogada individual antes de finalizar para o 1 a 0. Já valeu para o Groningen – que ainda teve gol anulado nos acréscimos, com Radinio Balker, mas também comemorou uma vitória mais pelo resultado do que pela qualidade.

AZ 1×1 Twente (domingo, 11 de setembro)

Odgaard (54′) – Ugalde (81′)

Quarto contra quinto colocado. Dois dos times do “sub-topo” mais capacitados para desafiarem os três grandes ao longo da temporada. O jogo em Alkmaar tinha tudo para ser altamente atraente. Não foi – não imediatamente, pelo menos. No primeiro tempo, um ar estudado e muitos erros de passe (113 ao todo) deixaram a partida até decepcionante: só uma chance de gol digna de nota, para o AZ, com Tijjani Reijnders. Já na etapa final, a situação ficou mais atraente. Começando pelo gol de Jens Odgaard: o dinamarquês pegou errado na bola, mas ela tomou o destino certo – a rede. E aí, o Twente obviamente contra-atacou em busca do empate. Ricky van Wolfswinkel e Ramiz Zerrouki estiveram muito perto do gol, mas acertaram, ambos, a trave. O alívio para os visitantes de Enschede só veio aos 81′, quando Joshua Brenet fez toda a jogada, e Manfred Ugalde recebeu a bola para completar. Pelo segundo tempo, as expectativas foram satisfeitas, afinal.

Feyenoord 3×0 Sparta Rotterdam (domingo, 11 de setembro)

Kökcü (5′), Dilrosun (35′), Giménez (73′)

Qualquer tentativa do Sparta se proteger mais em De Kuip já ficou altamente prejudicada com o gol precoce do Feyenoord: de fora da área, Orkun Kökcü bateu rasteiro para o 1 a 0 (importante gol para o capitão, criticado nas mídias sociais após reclamar de não ter batido o pênalti que Santiago “Bebote” Giménez converteu contra a Lazio, na Liga Europa). Era um sinal: se não seria possível tocando a bola, no meio de uma fechada defesa dos Spartanen, seria possível nos chutes de fora da área. E uma falha do goleiro dos visitantes facilitou a tarefa do Stadionclub em De Kuip: Nick Olij cobrou tiro de meta erradamente, a bola ficou com Quinten Timber, este passou a Javairô Dilrosun, que arriscou de fora, e Olij falhou de novo no 2 a 0. A partir de então, o jogo ficou meio monótono. Sem conseguir entrar na área, o Feyenoord apenas mantinha o maior volume de jogo; sem ter a bola, o Sparta apenas tentava alguns contra-ataques, sem sucesso. Somente quando os reservas começaram a entrar, é que a partida se reaqueceu. E numa jogada de dois deles, saiu o terceiro gol: em sua primeira partida pelo Campeonato Holandês, Igor Paixão cruzou, e “Bebote” Giménez conferiu para mais um gol. O Feyenoord vai para o clássico com o PSV, na próxima rodada, na vice-liderança – e podendo aspirar a ser o principal adversário do Ajax na disputa do título.

 

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