Mercado contestável e mudança de donos: o que esperar da Sampdoria?

Campeã da edição de 1990/91 da Serie A e uma das principais equipes da região da Ligúria, a Sampdoria iniciou a temporada 2022/23 com uma simples vitória sobre a Reggina na Copa da Itália, mas as movimentações do clube na janela de transferências e a possível mudança de propriedade não deixam os torcedores ficarem tão empolgados.

Após uma regular nona colocação em 2020/21 sob o comando de Claudio Ranieri, a Sampdoria não foi capaz de repetir os mesmos bons desempenhos com Roberto D’Aversa na temporada seguinte e lutou contra a zona do rebaixamento no decorrer do campeonato. A volta de Marco Giampaolo trouxe mais dinamicidade e um pouco de esperança, mas não corrigiu todos os problemas dos blucerchiati.

A situação da Sampdoria em campo já não era positiva, mas o ambiente se deteriorou ainda mais após a prisão do empresário Massimo Ferrero. Se analisarmos o contexto, a detenção do presidente de um clube pode causar um impacto negativo no psicológico da equipe, mas o curioso é que o time passou a conquistar resultados positivos depois que o produtor saiu de cena. Em contrapartida, o período de vacas gordas da Samp durou muito pouco.

Além do rebaixamento do arquirrival Genoa, a chegada do ex-zagueiro Marco Lanna ao cargo de presidente foi um dos poucos momentos felizes que os torcedores do clube puderam desfrutar em 2021/22. No entanto, o ídolo dos blucerchiati nunca escondeu que o real objetivo é vender a agremiação para alguém capaz de investir maiores quantias. Até o momento, a imprensa local especula que houve manifestações de interesse, mas nada foi concretizado.

Embora tenha passado por situações muito complicadas ao longo da temporada anterior, a Sampdoria atingiu seu principal objetivo, que era o de não voltar para a Serie B. No entanto, o plantel evoluiu pouco e ainda existem muitos riscos de o clube ter que brigar novamente contra as três últimas posições na próxima liga italiana.

Mercado de transferências

Sem muito cacife para investir em reforços de peso, a Sampdoria apostou em alguns velhos conhecidos, mas vale destacar que o clube demorou muito tempo para agir no mercado de transferências. Duas contratações dos blucerchiati foram dois experientes meio-campistas: Tomás Rincón e Filip Djuricic. O venezuelano teve seu contrato por empréstimo renovado para mais uma temporada, enquanto o sérvio voltou ao time de Gênova depois de quatro anos.

A diretoria da Sampdoria também preencheu o plantel com três jogadores por empréstimo. O primeiro foi o grandalhão atacante Mihailo Ivanovic, de 17 anos, que estava no Vojvodina e foi um dos artilheiros das categorias de base do clube sérvio. O segundo reforço, contudo, foi o zagueiro francês Maxime Leverbe, do Pisa, que teve uma passagem pela Samp entre 2016 e 2019. Por fim, o terceiro enxerto é o espanhol Gonzalo Villar, da Roma, que não possui espaço na capital italiana e foi novamente emprestado.

Se as chegadas não foram muito badaladas, as saídas tiveram um impacto maior na Sampdoria. Os experientes Sebastian Giovinco, Maya Yoshida (Schalke 04) e Albin Ekdal (Spezia) não tiveram seus contratos renovados, enquanto Ernesto Torregrossa (Pisa), Federico Bonazzoli (Salernitana) e Morten Thorsby (Union Berlim) foram vendidos. Outro jogador que deverá se despedir em breve é o dinamarquês Mikkel Damsgaard, que está bem próximo do Brentford, da Inglaterra.

Rincón é um jogador muito apreciado por Giampaolo, tanto que deverá ser uma peça bastante utilizada pelo comandante ao longo da próxima temporada. Já Djuricic cumprirá uma função importante no esquema do comandante italiano, que é o papel de meia-atacante.

Durante a pré-temporada em Ponte di Legno, Giampaolo confirmou em uma coletiva de imprensa que estava precisando de pelo menos cinco reforços e reclamou da falta de competitividade da equipe no setor de meio de campo. O técnico fechou a conversa dizendo que a Sampdoria era uma equipe “pobre, mas bonita”.

Como se organizará a Sampdoria?

A partida entre Sampdoria e Reggina, válida pelos 32 avos de final da Copa da Itália, deu alguns spoilers de como Giampaolo organizará seu plantel na próxima edição da Serie A. O time disputou os primeiros 63 minutos do duelo no 4-5-1, mas o esquema foi alterado posteriormente para o 4-3-1-2.

Ao que tudo indica, Giampaolo insistirá no mesmo 4-5-1 utilizado na temporada passada do Campeonato Italiano, já o 4-3-2-1 foi o módulo de jogo que marcou a primeira passagem do treinador em Gênova. Analisando os movimentos da Sampdoria na janela de transferência, parece que o 4-5-1 vai se sobressair.

Emil Audero é o titular absoluto do gol da Sampdoria, já Bartosz Bereszynski e Tommaso Augello tomam conta das laterais. Os zagueiros centrais provocam dúvidas em Giampaolo, principalmente se Jeison Murillo prosseguir na equipe, pois o colombiano pode assumir a posição de Alex Ferrari para ficar ao lado de Omar Colley. O britânico Ronaldo Vieira é o grande favorito para ficar à frente dos defensores no meio.

Rincón e Abdelhamid Sabiri poderão atuar mais centralizados no departamento de meio de campo, enquanto Antonio Candreva ficará aberto pela direita e Djuricic à esquerda, com a possibilidade de Mehdi Léris ser titular diante da Atalanta, que será a estreia dos genoveses na liga italiana. Já Francesco Caputo ficaria sozinho no setor ofensivo.

Caso a Sampdoria jogue no 4-3-1-2, Candreva poderia ser sacrificado, mas Giampaolo abriria mais oportunidades para Manuel De Luca e Fabio Quagliarella. Villar deve entrar neste sistema como regista, mas existe a opção do espanhol atuar como mezzala. No geral, as mudanças de módulos podem ser tornar mais frequentes, fator que se transformará em uma arma adicional para os blucerchiati.

No duelo contra a Reggina, que inaugurou a temporada para a Sampdoria, a campeã italiana de 1990/91 venceu graças ao gol de pênalti de Sabiri. Os genoveses não fizeram uma grande exibição, mas conseguiram avançar de turno, que poderá oferecer um ânimo maior ao clube.

Foto: Twitter Sampdoria

 

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