Itália e Coreia do Sul: uma relação que vai além do controverso jogo da Copa de 2002

Após uma positiva temporada pelo Fenerbahçe, da Turquia, o zagueiro Kim Min-jae, de 25 anos de idade, foi disputado por clubes das principais ligas do continente europeu. O Napoli, que perdeu recentemente Kalidou Koulibaly, superou a concorrência e fechou a contratação do defensor sul-coreano, estreitando ainda mais a ligação entre o futebol das duas nações.

Diversos fãs de futebol, principalmente os italianos e os que acompanharam a Copa do Mundo de 2002, não esquecem tão facilmente a precoce eliminação da Azzurra diante da Coreia do Sul, um dos países que receberam o prestigiado torneio. Em um dos jogos mais polêmicos da história da competição, os donos da casa bateram os europeus por 2 a 1 com um gol de ouro de Ahn Jung-hwan, mas o embate foi marcado por vários erros de arbitragem.

Na ocasião, a seleção liderada por Giovanni Trapattoni, que era uma das favoritas ao título e com vários jogadores no auge da carreira, sofreu nas mãos do árbitro equatoriano Byron Moreno. Em tempos que o VAR estava longe de ser realidade e em uma tensa partida de Copa do Mundo que havia ido para a prorrogação, o sul-americano não viu um pênalti de Song Chong-gug em Francesco Totti e expulsou o craque italiano por simulação, já que ele tinha levado um amarelo anteriormente. Após isso, a imagem do técnico da Azzurra socando o vidro do banco de reservas se transformou em uma cena emblemática.

Com um jogador a menos, a situação ficou difícil para então tricampeã mundial, mas a arbitragem deu um jeitinho de piorar as coisas. Na etapa final da prorrogação, Christian Vieri deixou Damiano Tommasi na cara do gol e estava pronto para anotar o segundo tento dos italianos, mas o bandeirinha marcou um impedimento inexistente e tirou a classificação dos europeus, pois Ahn fez alguns minutos depois o gol de ouro que selou a classificação sul-coreana.

O confronto deixou os italianos tão enfurecidos que o presidente do Perugia, time que Ahn estava jogando na época, declarou no dia seguinte da eliminação da Azzurra que não pagaria mais os salários do jogador asiático. Com essa confusão envolvendo o atacante e o empresário Luciano Gaucci, o sul-coreano deixou a equipe biancorossa e continuou a carreira bem longe do Belpaese.

Após Ahn, que foi o primeiro jogador do país asiático a atuar na principal divisão da Itália, a Serie A só foi voltar a ver um sul-coreano em campo no ano de 2017, quando o meio-campista Lee Seung-woo defendeu o Hellas Verona. Com isso, o Napoli transformará Kim no terceiro atleta sul-coreano a marcar presença na liga italiana.

Natural da cidade costeira de Tongyeong e bicampeão da K-League (2017 e 2018), Kim trouxe muita solidez e segurança ao sistema defensivo do Fenerbahçe, tanto que despertou atenção da diretoria napolitana para ser um bom substituto de Koulibaly. Ao lado de Serdar Aziz ou Attila Szalai, o sul-coreano se transformou em um dos arquitetos do vice-campeonato da sua equipe no Campeonato Turco.

Kim é um jogador muito cuidadoso. É impressionante o quanto ele está sempre concentrado, entre suas principais características estão a velocidade e a grande força. Sua experiência dependerá de muitos fatores, mas ele tem a vantagem de encontrar um treinador como Luciano Spalletti que o orientará da melhor maneira possível“, destacou Vincenzo Montella, técnico do Adana Demirspor, em entrevista ao jornal “Il Mattino“.

O “Monstro”, como Kim é apelidado pelos fãs, assinou um contrato válido pelos próximos três anos com o Napoli, além de ter a possibilidade de renová-lo para mais dois. Titular indiscutível da seleção sul-coreana e um dos melhores defensores da edição passada da liga da Turquia, a defesa napolitana deverá estar mais segura com a chegada do jovem zagueiro.

Além disso, uma boa passagem de Kim poderá abrir os olhos dos clubes italianos aos jogadores da Coreia do Sul, um país que vem aumentando cada vez mais seu nível, principalmente com o sucesso do centroavante Son Heung-min, do Tottenham. Jeong Woo-yeong, do Freiburg, e Hwang Ui-jo, do Bordeaux, são outros atletas do país asiático que receberam chances na Europa.

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