O fenômeno dos rebrandings no futebol italiano

Juventus, Inter de Milão, Fiorentina, Hellas Verona e Modena são alguns dos clubes italianos que decidiram inovar ao entrarem na onda do rebranding, palavra que define o momento em que uma organização decide modificar seu logotipo ou outros elementos identificativos. Normalmente, um dos objetivos das equipes de futebol que resolvem promover essa ação é dar o pontapé inicial para uma nova era.

Em território italiano, alguns emblemas foram sutilmente retocados, outros acabaram sendo parcialmente modificados e teve também quem resolveu redesenhar completamente o escudo. No geral, a quantidade de mudanças mostrou que as equipes do Belpaese absorveram muito bem essa ideia, mesmo que a Itália seja uma nação bastante apegada às suas tradições.

Apesar das muitas alterações de escudos que aconteceram ao longo dos anos, o caso mais emblemático foi em 2017, quando a Juventus adotou um logotipo revolucionário, criado a partir da colaboração da Velha Senhora com a empresa Interbrand, uma das mais conhecidas no setor de consultoria de marcas. A adoção da letra “J” como emblema causou um grande estardalhaço e não agradou vários torcedores, mas o time piemontês deixou sua identidade mais universal, podendo flutuar facilmente entre o futebol e a moda, principalmente a streetstyle.

O rebranding da Internazionale também foi bastante comentado, principalmente nas redes sociais, já que a nova identidade do clube nerazzurro é composta pelas letras brancas “I” e “M”, tendo se despedido dos antigos “F” e “C”, além da tradicional cor dourada.

As mudanças promovidas por Juve, Fiorentina e Hellas Verona, por exemplo, não passaram despercebidas e desencadearam enormes discussões nas redes sociais. Enquanto isso, as alterações que Brescia, Cagliari, Genoa e Bologna realizaram em seus próprios logotipos praticamente passaram despercebidas, tanto que até tiveram um maior sucesso entre os fãs.

Na Itália, a mais recente modificação de escudo aconteceu na popular equipe do Modena, que disputa atualmente a Serie C do calcio. O clube da região da Emilia-Romagna, que já jogou 28 vezes a principal divisão do futebol italiano, decidiu se desfazer do seu tradicional emblema oval para adotar um simples canarinho, um dos símbolos mais famosos da cidade, como a nova identidade visual.

Deixando um pouco de lado os clubes de futebol, até mesmo a seleção italiana alterou seu visual em 2017, com o objetivo de mesclar tradição e novidade. A chegada da empresa alemã Adidas para ser a nova fornecedora esportiva da tetracampeã mundial, parceria que será iniciada a partir de 2023, poderá provocar uma nova modificação na identidade da Azzurra.

Os clubes estão seguindo uma tendência que já ocorre com empresas de outras áreas de atuação. A renovação do logotipo, ou do escudo, no caso dos times, tem como objetivo simplificar as marcas, ou seja, manter sua identidade com artes mais simples, minimalistas, podendo até ser numa única cor. Assim, eles removem a parte rebuscada, tornando mais fácil a visualização da marca e mesmo a aplicação em outros tipos de cores de fundo. É uma tendência de modernização, de renovação da marca e também de padronização para uso comercial em produtos oficiais e licenciados. Vários clubes já fizeram esta renovação aqui no Brasil e na Europa, com destaques maiores para o Athletico Paranaense e Juventus“, disse Luiz Antonio Ramos, mestre em gestão do esporte, em entrevista ao MondoSportivo.

No mundo do futebol, o emblema é uma parte fundamental para uma equipe, pois contém a tradição de cada clube, seja nos elementos presentes no escudo ou nas cores. Todos esses valores presentes fazem os torcedores sentirem grande apego, tanto que uma mudança radical pode provocar a ira dos mais tradicionalistas, como aconteceu em solo espanhol com o Real Valladolid, pois o rebranding foi criticado por jornalistas, políticos e fãs.

No caso da Juve, um dos rebrandings mais famosos dos últimos tempos, não foi fácil a adaptação da nova identidade visual do clube italiano, que na época recebeu uma enxurrada de críticas pela alteração. No entanto, já passados cinco anos da radical mudança, parece que o público ficou um pouco mais acostumado com o “J” estampando uniformes e outros artigos relacionados ao time.

Dois anos antes da Velha Senhora alterar o seu emblema, o Manchester City deu uma histórica reestilizada no próprio escudo e muitos torcedores condenaram com veemência a atitude. Em pleno 2022, o novo logotipo ganhou poder e representa muito harmoniosamente os Citizens na Inglaterra e em todo o planeta. O antigo escudo é lembrado com nostalgia, mas os torcedores tiveram paciência e coragem para essa grande alteração.

As torcidas geralmente são apegadas a história do clube. A inovação normalmente causa certo incômodo, pois pode parecer uma simples jogada de marketing e até uma perda da identificação com a história e a tradição do clube. Só que isto passa, principalmente se a renovação da marca continuar bonita e atraente, ou seja, a torcida se acostuma. Se você analisar a história de cada escudo de cada clube, geralmente verá modificações com o passar dos anos. Existem casos na Inglaterra, como no Chelsea, em que o escudo do clube muda de cor de acordo com o uniforme a ser utilizado. Isto é impensável para os mais tradicionalistas, apegados nas cores. Olhando pelo lado da gestão, a renovação das marcas pode resultar numa nova coleção de produtos oficiais, aumentando as vendas e as receitas do clube. É uma ação benéfica, desde que não perca a identidade do clube e a identificação com a torcida“, afirmou Ramos.

A mudança do logotipo pode causar muita revolta e dúvida, principalmente nos torcedores mais tradicionais, mas tudo isso faz parte de um planejamento maior, que visa posicionar o clube em um patamar mais “cool” e “fashion“, ou seja, vai muito além do uniforme, chegando a atingir produtos de tecnologia, como fones de ouvido, e até artigos de moda, como cachecóis, roupas, malas e óculos. No geral, tudo isso é feito para expandir ainda mais a marca e reunir uma maior base de fãs em todo o mundo.

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