Massimiliano Allegri não conseguiu reviver a vacilante Juventus

O retorno do multicampeão Massimiliano Allegri foi acompanhado com muito entusiasmo pelos torcedores da Juventus, mas a temporada da Velha Senhora acabou de uma maneira decepcionante, principalmente por não ter levantado nenhum caneco, uma situação que não era vivenciada dentro da equipe piemontesa desde 2010/11.

A Juventus fechou sua participação na Serie A pela segunda vez consecutiva na quarta colocação, mas a equipe liderada por Allegri não foi capaz de ao menos repetir os números registrados pelo o elenco comandado por Andrea Pirlo na temporada 2020/21 e por Maurizio Sarri em 2019/20. Os bianconeri concluíram a edição mais recente da liga com 70 pontos, oito a menos em comparação ao time da edição retrasada do Campeonato Italiano.

Se formos mais além e pegarmos a edição de 2019/20 da principal divisão do calcio como referência, quando a Juve era comandada pelo napolitano Sarri e faturou o título da Serie A, o clube da cidade de Turim chegou aos 83 pontos e conseguiu superar a dura concorrência da Inter de Milão, que somou 82.

Vencer é praticamente uma palavra de ordem na Juventus, tanto que concluir primeira divisão do futebol italiano duas vezes seguidas na quarta posição é um pouco desconfortante, mesmo que tenha garantido vaga na próxima edição da Liga dos Campeões. No entanto, a situação ficou ainda mais grave para Allegri em virtude da ausência de títulos na temporada passada.

A última vez que a Juventus passou uma temporada completamente em branco foi em 2010/11, quando o time comandado por Luigi Delneri ficou em uma modesta sétima posição na Serie A. A Velha Senhora ainda caiu na fase de grupos da Liga Europa, atrás de Manchester City e Lech Poznan, e foi despachada da Copa da Itália nas quartas de final. A partir de 2011/12, momento em que Antonio Conte assumiu as rédeas, o clube bianconero venceu pelo menos um título por 10 temporadas consecutivas.

Um outro ponto que chama atenção é a quantidade de gols marcados pela Juventus sob o comando de Allegri. Em 38 rodadas, os piemonteses balançaram as redes apenas 57 vezes, 20 a menos do que a equipe liderada por Pirlo e 19 do que o time de Sarri. Para evidenciar esse problema podemos lembrar da derrota diante da Fiorentina, por exemplo, quando a Velha Senhora não registrou um único chute, dentro ou fora do gol.

Em maio, o atacante Álvaro Morata zombou das táticas do atual treinador da Juventus em um comercial para promover o jogo EFootball, desenvolvido pela empresa japonesa Konami. Na ocasião, o espanhol não conseguiu acertar nenhum chute e comentou sorrindo que Allegri “ficaria orgulhoso”. A declaração do jogador não passou despercebida nas redes sociais e alimentou ainda mais as críticas ao comandante bianconero, não somente sobre seu estilo defensivo, mas também por não aproveitar suas peças, principalmente os atletas mais jovens.

No decorrer da temporada passada, a Juventus registrou mais posse de bola em diversas partidas, mas não teve a serenidade necessária em transformar esse momentâneo domínio em gols. A chegada de Dusan Vlahovic ajudou o clube no setor ofensivo, mas ainda não causou o impacto desejado. Sem sombra de dúvidas, um jogador capaz de decidir uma partida e um meio de campo mais eficaz na construção de jogadas fizeram bastante falta para a Velha Senhora.

Uma das estrelas da Juventus, Paulo Dybala não fez uma grande temporada em função dos vários problemas físicos, tanto que não prosseguirá em Turim. Federico Chiesa teve altos e baixos, mas foi atrapalhado por uma séria lesão. Moise Kean, por sua vez, esteve muito longe do que era esperado e Dejan Kulusevski acabou sendo emprestado ao Tottenham. O “senador” Giorgio Chiellini, contudo, defenderá o Los Angeles FC na próxima temporada e abriu uma vaga no setor defensivo.

Allegri terá mais uma oportunidade de recolocar a Juventus no caminho das vitórias, mas o clube precisará fazer um mercado de transferências clínico para voltar a acompanhar os dois rivais da cidade de Milão, que vão lutar pelo 20º Scudetto na próxima temporada. O comandante toscano ainda possui três anos de contrato e mira construir novos bons momentos em Turim.

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