Real Betis e Manuel Pellegrini, um casamento que deu certo

Um dos momentos mais emocionantes da atual temporada do futebol europeu foi a histórica conquista da Copa do Rei pelo Real Betis Balompié. A equipe de Sevilha voltou a vencer o torneio depois de quase 20 anos e marcou positivamente o casamento do clube com o técnico chileno Manuel Pellegrini, um dos principais arquitetos dessa gigantesca obra.

O título sobre o Valencia foi como colocar a cereja em cima do bolo para coroar o trabalho de Pellegrini, que assumiu um Real Betis praticamente em frangalhos. Na temporada que antecedeu a chegada do chileno, os verdiblancos fecharam sua campanha na edição de 2019/20 da La Liga em 15º lugar, com 41 pontos, a apenas cinco da zona do rebaixamento.

Ao longo do período, a equipe sevilhana teve dois técnicos (Rubi e Alexis Trujillo) e venceu somente 10 dos 38 jogos, além de ter tido a segunda defesa mais vazada do Campeonato Espanhol, com 60 gols tomados.

O projeto envolvendo Pellegrini começou na temporada seguinte, principalmente depois da chegada de Antonio Cordón, atual diretor esportivo do Real Betis. O cartola, que trabalhou na Federação Equatoriana de Futebol (FEF), conheceu o chileno nos tempos de Villarreal e o trouxe para Sevilha em 2020 para liderar a equipe alviverde.

Pellegrini não teve o mesmo poderio financeiro que encontrou no Manchester City (2013-2016) e no Real Madrid (2009-2010), tanto que o chileno precisou se adaptar a realidade do Real Betis, ainda mais com os problemas econômicos causados pela pandemia de Covid-19. Apesar dos riscos, o casamento deu muito certo e o estrategista despertou o bom futebol da tradicional equipe espanhola, acostumada a ver de longe os sucessos do arquirrival Sevilla.

O chileno soube aproveitar muito bem alguns elementos da ruim campanha anterior, como Nabil Fekir (ex-Lyon), Borja Iglesias, Álex Moreno, Guido Rodríguez e Juanmi. Além de ter elevado as performances destas peças, Pellegrini conseguiu contar com o lendário Joaquín, um dos maiores ídolos da história do Real Betis.

Uma boa parte dos jogadores que chegaram para reforçar o plantel dirigido por Pellegrini veio sem custos, como o goleiro Claudio Bravo e os defensores Martín Montoya e Víctor Ruiz. A equipe espanhola ainda viu Giovani Lo Celso ser vendido ao Tottenham por cerca de 32 milhões de euros.

O atual Real Betis foi se formando a partir deste momento e Pellegrini acabou moldando aos poucos a rígida estrutura do clube. Os comandados do “Engenheiro”, como o chileno é carinhosamente apelidado, possui muita qualidade com a bola nos pés, um sistema defensivo sólido e um efetivo ataque.

Pellegrini deixou o Betis em uma surpreendente sexta colocação da liga espanhola em sua primeira temporada no comando do clube. A boa campanha abriu o apetite do time alviverde, tanto que atualmente é o quinto posicionado do campeonato e possui números melhores em comparação com a edição passada da competição.

Faltando apenas uma rodada para o fim do torneio, o Real Betis conquistou três pontos a mais na atual temporada em relação à anterior. Além disso, a equipe treinada por Pellegrini balançou as redes 62 vezes, 12 a mais se levarmos em consideração a quantidade total de gols marcados na última edição da La Liga.

As chegadas de Willian José, Germán Pezzella, Andrés Guardado e Héctor Bellerín ajudaram a fortalecer as estruturas do time sevilhano ao longo das duas temporadas de Pellegrini no comando. Segundo dados do site Transfermarkt, o plantel do Real Betis é avaliado em 243 milhões de euros e está em oitavo lugar, bem longe do Real Madrid, que aparece em primeiro com um elenco de 756,5 milhões de euros.

Todos esses fatores colaboraram para que o título da Copa do Rei fosse parar novamente nas mãos do Real Betis. O experiente Pellegrini foi capaz de colocar ordem na casa da equipe sevilhana e deixá-la em condições de brigar na parte de cima da classificação. A mudança do clima da tradicional equipe espanhola foi concretizada com uma conquista histórica e a promessa de dar ainda mais trabalho nas próximas temporadas.

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