Grande incógnita da Copa, seleção do Catar tentará não fazer feio em casa

País-sede da Copa do Mundo de 2022, o Catar terá a oportunidade de participar pela primeira vez da competição da Fifa. A seleção asiática, que encabeça o grupo A, não é muito conhecida no cenário do futebol mundial e chegará ao megaevento esportivo como a equipe mais misteriosa.

Desde que a nação da Península Arábica foi escolhida para receber a Copa do Mundo, o Catar vem fazendo de tudo e mais um pouco para melhorar a qualidade da seleção. Além de ter sido campeã da edição de 2019 da Copa da Ásia, a equipe participou da Copa América e da Copa Ouro da Concacaf. Na 51ª posição do ranking da Fifa, o país conseguiu melhorar sua colocação na tabela e navega nas mesmas águas que Equador, Gana e Arábia Saudita.

Um dos pontos positivos do Catar é a duradoura relação com o técnico espanhol Félix Sánchez Bas, que comanda o país desde 2017. Após uma passagem pelos juniores do Barcelona, o comandante esteve à frente das seleções catarianas sub-19 e sub-23. Grande conhecedor do futebol local e da cultura da nação, o treinador de 46 anos de idade chegou ao time principal como substituto do uruguaio Jorge Fossati.

Embora a seleção do Catar não seja uma equipe extremamente talentosa como algumas outras que estão no Mundial, é um plantel muito disciplinado e consistente, tanto que venceu o Japão na Copa da Ásia e a Bulgária em um amistoso disputado recentemente. O país ainda arrancou empates contra Eslovênia e Irlanda.

Outra prova do desenvolvimento constante do futebol catariano está em sua campanha na última edição da Copa Ouro. Após superar a fase de grupos como líder da chave D (Honduras, Panamá e Granada), o Catar passou por El Salvador nas quartas de final e caiu na semifinal para os Estados Unidos, que foram os campeões da competição da Concacaf.

Um dos pontos mais curiosos da seleção do Catar, que também auxiliou na evolução do futebol local, é que Félix Sánchez tem à disposição uma alta quantidade de jogadores naturalizados. No amistoso contra a Eslovênia, por exemplo, a equipe iniciou a partida com cinco atletas nascidos em outras nações, que eram França, Argélia, Iraque, Cabo Verde e Sudão.

Indo mais a fundo neste tema, vários brasileiros já vestiram a camisa do Catar em um passado não muito distante, como Emerson Sheik, Fábio César Montezine, Rodrigo Tabata, Aráujo e Renan Oliveira. A presença de tantos estrangeiros no plantel da seleção já foi alvo de muitas críticas, tanto que o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter comentou em meados de 2015 que a entidade monitoraria de perto essa questão.

Já no corpo técnico, a seleção do Catar teve pouquíssimos treinadores nascidos no país da Península Arábica, tanto que o último foi Fahad Thani em 2013, mas durou cerca de um ano no comando. Entre os estrangeiros que já treinaram a equipe estão Paulo Autuori, Sebastião Lazaroni e Bruno Metsu.

Além da presença de uma grande quantidade de estrangeiros, a evolução da modalidade no Catar passa pela Aspire Academy, uma espécie de centro acadêmico esportivo extremamente conceituado que visa observar e ajudar a desenvolver atletas de diversas modalidades, incluindo o futebol.

No atual elenco da seleção do Catar, que pegará Equador, Senegal e Holanda na fase de grupos da Copa do Mundo, é possível destacar o atacante Almoez Ali, do Al-Duhail, que está apenas dois gols de se igualar a Mubarak Mustafa e se tornar o maior artilheiro da história do país. Natural de Khartoum, no Sudão, o jogador balançou as redes 39 vezes em 74 jogos disputados.

Além do artilheiro Ali, o centroavante Akram Afif, o lateral-esquerdo Abdelkarim Hassan, o meio-campista Karim Boudiaf e o zagueiro Boualem Khoukhi são outras importantes peças da seleção catariana, que vale muito a pena ser observada mais de perto, principalmente na Copa do Mundo.

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