Do lixo ao luxo: o novo Botafogo de John Textor

Graças ao Projeto de Lei (PL) 5.516/2019, do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, a Lei 14.193/2021 abre alas para que os clubes de futebol no Brasil adotem a organização formal de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF). Um clube histórico, com ídolos presentes nos maiores pedestais do futebol mundial, o Botafogo de Futebol e Regatas entra em uma nova fase: o alívio.

O mecenas, o salvador, o novo “ídolo”, o empresário John Textor chegou ao Brasil com a intenção de investir R$ 400 milhões no Botafogo por meio do fundo Eagle Holding, depois de comprar 18% das ações do clube inglês Crystal Palace, que atua na Premier League. Carismático e, ao mesmo tempo, consciente da grandeza de sua intenção, logo caiu nas graças da tão apaixonada torcida alvinegra, que conseguiu indiretamente convencer o milionário investidor a mergulhar de cabeça na produção de novos tempos para o Botafogo. Contudo, não deve ser esquecido quem preparou o território para que isso acontecesse.

Há alguns anos, iniciou-se o burburinho da sociedade anônima (S/A) no Botafogo. Muito se esperava de diversas frentes, principalmente dos irmãos Moreira Salles, torcedores fanáticos do clube de General Severiano e sócios do Itaú Unibanco. No entanto, no que os Moreira Salles decidiram atuar, foi iniciar todo o caminho até a SAF ser realidade. Contrataram a empresa de auditoria Ernst & Young, uma das mais renomadas no mercado, para realizar o diagnóstico financeiro do clube, em conjunto com estudo complementar de avaliação de opções para a recuperação financeira do Botafogo de Futebol e Regatas. Dado este passo, foi construído todo o caminho, árduo e sinuoso, até a concretização da melhor saída para a salvação do Glorioso, como é carinhosamente conhecido. A profissionalização do futebol, com a contratação de pessoas para cargos de gestão que realmente obtiveram sucesso em suas carreiras, foi essencial para acelerar todo o trâmite.

Tendo em vista os fatos anteriormente apresentados, hoje o clube age de forma totalmente diferente do que fora observado em sua história. Há pouco John Textor chegou, mas tanto já mudou. Do que era observado sobre contratações ineficientes e movidas por empresários, se tornou um intenso mapeamento de mercado para não errar em reforços. O que se via de atletas saindo por valores irrisórios (muito pelas enormes dívidas do clube), hoje é evidenciado um bloqueio em todas as negociações, seja de saída do clube ou de renovação de contrato. Em um clube acostumado com o amadorismo de seus antigos dirigentes, mais preocupados em interesses pessoais, agora vê um clube de promissora gestão, de constante evolução, que busca profissionalmente recolocar o Botafogo de onde jamais deveria ter saído, da alcunha que jamais deveria perdido: gigante.

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