Os Arquétipos do Sassuolo

Ao falarmos em arquétipos nos referenciamos a padrões bem definidos, ou seja, modelos. Portanto, para que possamos utilizar a terminologia corretamente, precisamos estabelecer algumas premissas. No caso do futebol, mais precisamente a estilos de jogo, podemos usar ferramentas estatísticas.

Quando a Unione Sportiva Sassuolo Calcio, clube da região da Emilia-Romagna, teve que trocar o comando técnico devido a saída de Roberto De Zerbi, que hoje comanda o Shakhatar Donetsk, por Alessio Dionisi, percebeu-se que o modelo de jogo da equipe também mudou.

Como é o arquétipo do Sassuolo de Roberto de Zerbi?

Roberto pensa um futebol que prioriza a posse de bola, com transições mais cadenciadas e circulação constante de bola antes de finalizações de média longa distância. As jogadas são cirurgicamente estudadas para que o adversário seja esgotado física e mentalmente, ao ser atacado.

De Zerbi implementou o 4-2-3-1 que se transformava em 3-4-3 durante os jogos. Buscando sempre atrair o adversário ao seu campo de defesa para a criação de espaços aliado a constante movimentação de seus jogadores, utilizando a circulação de bola, preferencialmente com passes curtos e médios. Uma espécie de tiki taka neroverdi.

Ao analisarmos os números da temporada 2020-21, extraídos do SofaScore e do Fbref, percebemos claramente esse padrão da equipe que, em média, detinha 60,8% de posse de bola, maior valor da Lega A TIM, com uma eficiência de 87,9% em total de passes completados. Além de, também percebermos a priorização dos passes curtos e médios, dado que em 20.126 passes completados pela equipe, maior valor na Serie A TIM, 46,20% foram curtos, 42,85% foram médios e apenas 10,95% foram longos.

Para que as ideias de De Zerbi funcionassem, era importante haver o sincronismo elevado entre os jogadores, aliado à qualidade técnica individual. As figuras mais importantes desse estilo eram os dois volantes, principalmente Locatelli, que ditavam o ritmo e davam dinamismo à equipe, nas fases de jogo e saídas de bola.

E o arquétipo do Sassuolo de Alessio Dionisi?

Com Dionisi, na temporada 2021-22, a equipe mudou um pouco seu arquétipo. Passou a ter um pouco menos de posse e ser menos propensa a circular a bola, verticalizando mais as jogadas. Propondo, portanto, uma abordagem mais objetiva de construção e definição. 

O equipe atuava no esquema 4-2-3-1, inicialmente, mas passou a atuar no 4-3-3. Sendo esses os principais modelos táticos utilizados pelo jovem treinador do “Sasol”, apelido carinhoso dado ao clube. Sob o comando de Dionisi a equipe passa a ter 56,3% de posse de bola, com uma eficiência de 85,5% em total de passes completados, em média. Números um pouco inferiores aos que eram com o anterior treinador. 

No que diz respeito a implementação do sistema de jogo, houve uma pequena mudança do estilo anterior para o estilo atual. Com o novo comandante a equipe neroverde passou a utilizar mais os recursos dos passes médios e longos. Dos 8.561 passes completados, 42,86% foram passes curtos, 42,96% passes médios e 14,18% passes longos.

Os volantes continuam a ser peças primordiais para a equipe, uma vez que o novo sistema de jogo necessita de lançadores para acionar a “correria” dos atletas mais adiantados. Na atual equipe destaca-se o jovem meia Frattesi, que teve a espinhosa missão de substituir o recém transferido Locatelli.

E qual o reflexo da mudança de arquétipo, no desempenho?

Para que possamos traçar essa análise comparativa é preciso, primeiro, equalizar os dados consolidados. Portanto, tomamos como base o desempenho da equipe nas 19 primeiras rodadas da temporada 2020-21, com De Zerbi a frente dos neroverdi, e confrontamos esses dados com os da atual equipe, comandada por Dionisi, para o mesmo período amostral (dados extraídos do SofaScore.com).

Com De Zerbi, ao final de 19 rodadas na temporada 2020-21, o “Sasol” tinha: 

  • 19 jogos 
  • 8 vitórias
  • 6 empates
  • 5 derrotas
  • 30 pontos conquistados
  • 52.6% aproveitamento
  • 32 gols marcados
  • 29 gols sofridos
  • 32 grandes chances
  • 38 grandes chances cedidas
  • 59% posse de bola

Com Dionisi, ao final de 19 rodadas na temporada 2021-22, o Sassuolo apresenta o seguinte desempenho:

  • 19 jogos
  • 6 vitórias
  • 6 empates
  • 7 derrotas
  • 24 pontos conquistados
  • 42.1% aproveitamento
  • 30 gols marcados
  • 31 gols sofridos
  • 37 grandes chances
  • 38 grandes chances cedidas
  • 56% posse de bola

E o que podemos concluir?

Sabe-se que uma mudança de filosofia leva algum tempo para ser absorvida e se mostrar eficaz ou não. Entretanto, apesar de um desempenho levemente inferior em todos os aspectos, na atual temporada, é importante salientar que a equipe perdeu um de seus melhores jogadores, Locatelli, além de seu artilheiro, Caputo

Em tese, os fatos anteriores poderiam contribuir para uma queda de rendimento significativa, porém, percebemos que as diferenças em desempenho são muito sutis, inclusive no posicionamento parcial da equipe na Lega Serie A: 9º em 2020-21 e 12º em 2021-22, ao final das 19 rodadas de disputa. 

É preciso dar tempo ao tempo, mas o que vocês pensam?
Melhorou, piorou ou é cedo para opinar? 

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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