O fracasso iminente do Borussia Dortmund

O Borussia Dortmund foi derrotado para o Sporting na última quarta-feira (24) e o resultado eliminou os aurinegros da Champions League de maneira antecipada. Em cinco jogos, a equipe perdeu três e venceu dois, atingindo os seis pontos na terceira posição e incapaz de alcançar a zona de classificação do mata-mata mesmo com uma rodada restante.

O fracasso precoce na principal competição de clubes do mundo e em um grupo que, na teoria, era pra ser tranquilo, chama muita atenção. No entanto, o clube já vinha dando indícios de queda de rendimento e deixando evidente diversos problemas que, em algum momento, iriam cobrar seu preço. Portanto, esse texto buscará entender o porquê dessa queda antecipada e o que levou a isso.

Apesar de estar em segundo lugar na Bundesliga, com apenas um ponto atrás do líder, as atuações do Dortmund já vinham preocupando o torcedor. O time na maioria das vezes conseguia vencer, mas passava longe de convencer. Nos últimos cinco jogos envolvendo todas as competições foram três derrotas e duas vitórias, mas em nenhuma partida a equipe conseguiu jogar melhor que seu adversário por longos períodos.

As vitórias foram sobre Colônia e Stuttgart, ambas na Bundesliga. E as derrotas deixam ainda mais evidente que, ao enfrentar adversário de um nível superior, o time sucumbiu e não conseguiu competir. Foi assim contra o RB Leipzig pela liga nacional e nas dolorosas derrotas para Ajax (em casa) e Sporting por 3 a 1, culminando na eliminação da Champions.

PRINCIPAIS PROBLEMAS

Um dos principais fatores responsáveis por esses resultados ruins é o sistema defensivo. Outrora muito criticado no Borussia M’gladbach por não saber montar uma boa defesa, Marco Rose vem demonstrando sua mesma dificuldade no Dortmund

Na atual temporada, o time já sofreu 32 gols em 20 jogos e só conseguiu sair sem sofrer gol em apenas quatro ocasiões, duas delas contra times de divisão inferior. Se avaliarmos todo o sistema defensivo do Dortmund, a única peça que vem justificando sua contratação e titularidade é o goleiro Gregor Kobel, que, apesar de quase sempre sofrer gol(s), evita que o desastre seja maior e consegue transmitir uma confiança que Burki e Hitz jamais transmitiram. Raphael Guerreiro também é outra peça que faz sua parte, mas seu grande trunfo é o apoio ofensivo; defensivamente deixa a desejar. No mais, é difícil encontrar um ponto positivo na defesa. O mapeamento de mercado lá atrás tentou reforçar o setor com a contratação do zagueiro Pongracic, porém, o defensor se tornou apenas mais um dos problemas. 

Contudo, o problema vai muito além das peças individuais. Até hoje, Marco Rose já testou os mais diversos sistemas como 4-3-1-2, 4-4-2, 4-2-3-1 e 3-4-1-2, e nenhum deles foi suficiente para consertar o problema. Os jogadores muitas vezes ficam espaçados em campo e não tem sintonia na hora de balançar as linhas de defesa de um lado pro outro. 

Outro fator que também é determinante para deixar a defesa mais frágil, mas vai muito além disso são as lesões. Este está sendo um dos maiores desafios do Borussia na temporada. Só no setor defensivo, peças como Hummels, Guerreiro, Meunier e Zagadou (este só realizou dois jogos) já ficaram um tempo considerável no departamento médico. Tal fator também acaba atrapalhando a montagem de uma defesa por não ser possível contar com todas as peças à disposição.

E, como foi dito acima, a problemática das lesões se estende por todos os setores do campo. No meio-campo, Reyna está fora, praticamente, desde o início da temporada. O americano fez um ótimo início e já estava se mostrando fundamental para o sistema e, talvez, se transformando em um possível substituto de Sancho, porém, seu momento só durou cinco jogos e foi interrompido pela lesão muscular. Outro jogador que estava vivendo seu melhor momento no clube desde a chegada era Dahoud. Tornou-se titular no fim da temporada passada e estava mantendo o nível até se lesionar.

Por fim, chegamos ao maior desfalque de todos e um dos maiores motivos dessa má fase. Erling Haaland sofreu uma lesão nos flexores do quadril em meados de outubro e só retornará em 2022. Os problemas defensivos já existiam quando ele estava em campo, porém, o norueguês muitas vezes compensava as (muitas) falhas com seus (muitos) gols lá na frente. É o homem-gol do Dortmund e uma garantia de bola na rede em quase todos os jogos. Com sua ausência, a equipe perdeu a referência e os gols garantidos por jogo. E, por se tratar de um talento extraordinário em ascensão, qualquer equipe do mundo sentiria falta se perdesse um jogador desse nível de uma hora pra outra. No Borussia Dortmund, sua falta é ainda mais sentida por dois fatores: suas características e qualidades complementam perfeitamente o melhor jeito do time jogar (em transições rápidas) e não há nenhum jogador no elenco que se aproxime de fazer o mesmo; e o outro fator é que seus substitutos não vivem grande fase e, tampouco, são artilheiros. Malen ainda não conseguiu justificar sua transferência, Hazard é um jogador que oscila, Moukoko tem poucas oportunidades e é muito jovem, Reinier nunca conseguiu desempenhar tão bem no time e Tigges não é confiável. Sem Haaland, forma-se um vazio no ataque do Dortmund que é diretamente refletido nos resultados e nos recentes desempenhos da equipe.

Enfim, estes são os principais e mais evidentes problemas que o Borussia Dortmund apresentou até aqui na temporada. Sua queda precoce na Champions League, na teoria, assusta e nos surpreende, principalmente pelo grupo ser acessível; mas ao analisarmos e pararmos para ver o desempenho do time, o fracasso em alguma competição era iminente e acabou acontecendo naquela que é mais relevante. Agora, no atual cenário, ainda resta uma Europa League por jogar no ano que vem. Teremos que aguardar e ficar de olho no desenvolvimento da equipe para ver se será suficiente para dar uma resposta no futuro. Vale lembrar que manter Haaland no plantel é fundamental para a sequência da temporada, porém, com a queda precoce na Champions e a janela de transferências se abrindo em janeiro, não será uma tarefa fácil segurá-lo.

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