Callejón, é você? Ex-ídolo do Napoli vive passagem horrível na Fiorentina

José María Callejón não é mais o mesmo. Sim, o espanhol já tem 34 anos de idade, mas ninguém poderia esperar uma queda tão vertiginosa de desempenho na carreira. Revelado pelo Real Madrid, Callejón teve bons momentos na equipe merengue. Foi no Napoli, porém, onde se tornou ídolo, conquistou a torcida e levantou troféus, ao longo de sete produtivas temporadas. Como nem tudo é eterno, a passagem pelo ex-time de Diego Maradona terminou para o espanhol na metade de 2020.

Contudo, aquele não era o ponto final em sua carreira. De prontidão, a Fiorentina sinalizou interesse em contar com seu futebol. A partir daí, o processo foi rápido. Até porque o mercado de transferências se fecharia em breve. Callejón, então, não só chegou à Florença, como ainda foi tratado como ‘solução’ de uma equipe orfã de seu principal jogador. Vale lembrar: naquela mesma janela, Federico Chiesa deixou a Viola para assinar com a arquirrival Juventus. O espanhol, portanto, era a peça de reposição do lado direito do ataque. Por mais que tivesse características diferentes de Chiesa, a esperança era de que sua experiência e familiaridade com as vitórias falassem mais alto. Não foi o que aconteceu.

Callejón é um ‘estranho’ em campo

Os números dizem por si só. Em 35 jogos com a camisa da Fiorentina desde o começo da temporada passada, Callejón tem apenas um gol e três assistências. No Napoli, para se ter ideia, foram 82 bolas nas redes e 78 assistências em 349 jogos. Ou seja, média próxima de participação em UM gol a cada DOIS jogos de sua equipe. Na Fiorentina, porém, ele participa de um lance fatal a cada 8,75 jogos.

E não é só isso. Não bastasse o ínfimo poderio ofensivo, as atuações de Callejón são simplesmente irreconhecíveis. Sem a mesma velocidade de antes, tampouco a confiança para enfrentar rivais. Seu papel se resume, dessa forma, a receber a bola pelo lado direito e tentar um cruzamento — em geral, errado —para a área de ataque da Viola. Na criação, pouquíssima participação. Nos contra-ataques, quase nenhum impacto, já que a Fiorentina tem dificuldade em rodar a bola com velocidade para encontrar o espanhol livre. Na defesa, suas aparições foram catastróficas, com direito a pênalti bobo cometido nesta temporada.

Vale lembrar: no Napoli, seu grande trunfo, muitas vezes, era acompanhar as jogadas do lado oposto da bola. No primeiro deslize do rival, o ponta aparecia atrás da defesa para concluir uma jogada ou fazer um passe extra, assistindo um companheiro. Ele precisa de espaço para progredir e, com certeza, não é uma boa ideia deixá-lo com obrigações de marcação. Para azar da torcida em Florença, nada deu certo!

A ausência de Chiesa foi subestimada

Não é nem preciso dizer que a Fiorentina brincou com fogo durante a negociação de Federico Chiesa, no ano passado. Sem pensar em alternativas, o time atrasou a despedida do jovem e, assim, teve pouco tempo para buscar um substituto. Até hoje esta ‘lacuna’ é sentida na equipe. Embora repita atuações apagadas, Callejón simplesmente não sai do time. Isso porque o potencial reserva, Riccardo Sottil, apresenta diversas deficiências e não passa confiança ao treinador Vincenzo Italiano.

Diante dessa realidade, José Callejón esteve em campo EM TODOS os 13 jogos da Viola na temporada. Mesmo sem merecer. Enquanto Nico González parece ter sido uma ótima solução para o lado esquerdo (só precisa ficar longe dos cartões vermelhos… e da Covid-19), o lado direito segue débil. Quem deu uma ‘compensada’ no setor foi Álvaro Odriozola, rápido e prestativo lateral espanhol. No ataque, porém, há um problema grave neste elenco da Fiorentina. E Callejón não poderá resolvê-lo.

Riccardo Saponara é a opção que resta de ponta. O italiano, porém, atua mais pela esquerda e também é inconstante. Resolve jogos na mesma medida que desaparece deles. Ainda assim, talvez esteja entregando um custo-benefício maior que Callejón. Mesmo que o espanhol tenha tido um recente ‘lampejo’ de utilidade, servindo uma assistência para Vlahovic na vitória por 3 a 0 contra o Spezia, ele não se paga.

Enfim, dito tudo isso, é evidente que a ausência de Chiesa foi subestimada pelos diretores da Viola. Um jogador por vezes errático, mas que nunca se escondia do jogo e era dono de uma velocidade impressionante. Aos 24 anos, ele segue evoluindo no restante dos fundamentos e, já podemos dizer, é um tremendo atacante/ponta. A última Eurocopa — e seu desempenho na Juventus — carimbam este status.

Callejón vai embora?

Enfim, mesmo diante de uma passagem mais do que melancólica, a tendência é que a gente siga vendo José Callejón em campo pela Viola. Por quanto tempo? Talvez somente mais dois ou três meses, caso a equipe de Florença decida se livrar do espanhol, com o intuito de aliviar a folha salarial. Do contrário, ele estará livre para assinar com qualquer outro clube a partir do início da temporada que vem.

Esta é, portanto, a tendência. É muito difícil que seu vínculo seja renovado. Não faz o menor sentido. A não ser que algo de mágico comece a acontece a partir da semana que vem. Com 34 anos, Callejón deverá procurar outro destino para ver se consegue recuperar seu futebol. Na Fiorentina, a conexão simplesmente não existiu. Um sistema que não o favorece, somado a uma falta de interesse latente do jogador. Já a Viola segue buscando opções para o ataque, com o receio iminente de perder outra peça importante da engrenagem ofensiava: o sérvio Dusan Vlahovic…

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