Flamengo à deriva

Ainda estamos em novembro, o Flamengo segue com compromissos no futebol, tem uma final de Taça Libertadores batendo à porta, mas o planejamento de 2022 já começou. Ou pelo menos deveria.

Reconhecido como um dos elencos mais fortes do Brasil, talvez o melhor deles, o Flamengo já não apresenta mais aquelas características de “Malvadão”, como a torcida gosta de se autodenominar. Hoje, pasmem, o Rubro-Negro se nivelou por baixo. Não é mais temido como outrora e deixou de ser o favorito de tudo. Hoje, pratica um futebol medíocre.

Muitas são as razões para essa queda de protagonismo, mas hoje focaremos no aspecto técnico. Depois da saída de Jorge Jesus, em julho de 2020, o Flamengo retrocedeu. Voltou a cometer erros antigos, com trocas sucessivas de técnicos, a maioria sem qualquer capacidade para comandar um elenco estrelado e exigente.

Atual comandante, Renato Gaúcho chegou ao Flamengo cheio de desconfiança, mas seu início arrasador, com ótimos resultados, acobertou muitos problemas, hoje flagrantes. Desgastado no Grêmio, Renato já não vinha apresentando bons trabalhos em seus últimos anos na equipe gaúcha e nunca foi um nome de consenso no Mais Querido. Chegou ao Clube por grife, não por mérito.

Renato Gaúcho nunca foi técnico para o Flamengo. O que existia era a ideia romântica de ter seu antigo ídolo no comando técnico da equipe. Muito mais pelo que fez dentro de campo do que fora. Renato não serve para o Flamengo. Não para esse Flamengo

Extraí essa parte do meu último texto (clique aqui para ler) para reforçar meu pensamento a respeito de Renato Gaúcho. Lembro bem do Renato jogador. Irreverente, decisivo, craque de bola. Um ídolo da Nação, principalmente dos mais velhos. Mas o Renato treinador está muito distante do que foi dentro das quatro linhas. Fora de campo, seu DVD é questionável.

Com faturamento de R$ 1 bilhão, o Flamengo precisa entender que contratar um técnico de excelência não é gastar muito dinheiro, mas fazer um investimento. E esse movimento precisa acontecer agora, para começar 2022 com nova comissão. O Flamengo não pode mais errar na escolha de seu comandante.

O elenco do Flamengo é muito bom, recheado de grandes jogadores. É um grupo que merece um grande técnico, de preferência europeu, que traga aquela conhecida mentalidade de um certo Mister. Repetir 2019 é utopia, mas voltar a jogar em alto nível precisa ser a ambição rubro-negra. Um treinador sem ideias, mas amigo dos jogadores, é o pior que pode acontecer para um grupo. Perde-se padrão e acomoda quem está acostumado a jogar em alto nível.

Ao comentar com um amigo influente sobre a chance de troca de técnico para 2022, especulei algo em torno de 80% de chances, mas ele foi ainda mais eloquente: “Você foi comedido. A chance de trocar o técnico para o ano que vem é quase de 100%”. O assunto ainda é tabu, principalmente porque não deve (mas deveria!) haver mudança esse ano e o foco é total na final da Libertadores, mas mesmo em caso de tricampeonato sul-americano, a permanência de Renato Gaúcho no Flamengo é bastante improvável. Remota mesmo. Europeu ou sul-americano (não brasileiro, obviamente), esse deve ser o caminho rubro-negro.

Um grande técnico, com uma excelente comissão, pode até permitir que o clube não tenha maiores necessidades de ir ao mercado de atletas. Até porque o que esse Flamengo necessita mesmo é de padrão de jogo, de ideias claras e pré-estabelecidas. Precisa recuperar a intensidade, a excelência técnica e tática. Precisa voltar a entrar em campo e deixar a torcida com apenas uma dúvida: de quanto será a vitória?

Jorge Jesus? Carlos Carvalhal? André Villas-Boas? Marcelo Gallardo? Leonardo Jardim? Pablo Repetto? Ainda é cedo para cravar um favorito, mas ao que tudo indica teremos um novo comandante na Gávea em 2022. Enquanto isso, a obsessão rubro-negra está no tricampeonato da Libertadores, em Montevidéu. Com Renato Gaúcho ou um “tapa-buraco”.

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