Em jogo épico, França vira e elimina Bélgica da Nations League

Foi um JOGAÇO! No Allianz Stadium, casa da Juventus, em Turim, a França fez um primeiro tempo terrível, foi dominada pela Bélgica, mas conseguiu reverter a desvantagem de 2 a 0 na etapa final. Karim Benzema, Kylian Mbappé (de pênalti) e Theo Hernández fizaram os três gols que classificaram a campeã mundial a sua primeira final de Nations League. Antes, Yannick Carrasco e Romelu Lukaku balançaram as redes pelos belgas. Agora, a França encara a Espanha na grande decisão do torneio europeu, no próximo dia 10.

Dois tempos distintos

Assim como contra o Brasil, na Copa do Mundo de 2018, a Bélgica fez um primeiro tempo primoroso. Não à toa, abriu a vantagem de 2 a 0, já na parte final da etapa inicial. Primeiro, Carrasco recebeu na ponta-direita, trouxe para dentro e bateu no contrapé de Hugo Lloris. O goleirão, que ficou parado nessa jogada, já havia salvo sua seleção de maneira espetacular logo nos primeiros minutos de jogo.

De fato, os comandados de Didier Deschamps pouco (ou nada) fizeram durante os 45 minutos iniciais. Acoada e preguiçosa, a França ainda viu a Bélgica ampliar, num baita golaço de Lukaku: o centroavante do Chelsea recebeu passe de De Bruyne, deixou a bola passar por baixo das pernas e correu para buscá-la já dentro da área. De pé direito – que não é o bom – bateu no canto de Lloris. Novamente, o arqueiro vacilou e não conseguiu a defesa. Com a vantagem de 2 a 0, os belgas foram para o vestiário.

No entanto, tudo mudou da água para o vinho do lado francês após o intervalo. Com uma postura muito mais agressiva, o time correu uma barbaridade, pressionou as linhas mais recuadas do adversário e conseguiu assustar. Não foi logo de cara, mas bastou a finalização precisa de Benzema, de perna esquerda, no canto direito de Courtois para que o jogo começasse a ficar bastante apimentado.

Reta final insana!

O primeiro gol da França saiu aos 17 da etapa complementar. Pouco mais de cinco minutos depois, Griezmann foi derrubado na área. O juiz, a princípio, não marcou nada, mas acabou sendo alertado pelo VAR. Pênalti para os Bleus e gol de Mbappé, mostrando personalidade na cobrança – se lembram que foi ele quem perdeu a penalidade que eliminou a França da última Euro?

Enfim, dessa vez, o craque do PSG foi às redes. E mais. Criou, buscou o jogo e chamou a responsabilidade de maneira elogiável. Mbappé, inclusive, foi escolhido pelo SofaScore como o melhor jogador da partida, com a nota 9,0. Na verdade, ninguém se escondeu do jogo na segunda etapa, mostrando que a França é sempre um adversário temido – quando se esforça para tal. Fato é que, após o empate por 2 a 2, o duelo ficou mais aberto do que nunca.

Roberto Martínez, o técnico da Bélgica, mexeu no time para torná-lo mais ofensivo e, assim, tentar frear o ritmo da França. O problema é que, fisicamente, a campeã mundial estava muito mais inteira. Com os dois laterais (Pavard e Theo Hernández) atuando praticamente de pontas, os franceses apertavam demais. A seleção belga, porém, conseguiu uma escapada, que resultou em gol.

Carrasco recebeu pela direita nas costas da marcação da França e cruzou para Lukaku que guardou seu segundo gol – e que poderia ter dado a a classificação à Bélgica nos minutos finais. Poderia. Antes mesmo do replay ser finalizado, o juiz invalidou o tento por impedimento apontado pelo VAR. Uma agilidade impressionante.

Theo Hernández, o herói francês

O gol anulado parece ter diminuído o ímpeto belga. Torcendo para que o jogo fosse è prorrogação, a equipe vacilou poucos minutos depois e deixou Theo Hernández sozinho na ponta esquerda. O lateral do Milan recebeu cruzamento rasteiro de Pavard e não pensou duas vezes: fuzilou de canhota, vencendo Courtois, que ainda tocou na bola. O gol, aos 45 minutos cravados, foi fatal para a Bélgica, que ainda tentou algumas investidas, mas não teve sucesso.

A vitória ÉPICA da França premia uma equipe valente, e que demonstrou ter alma de campeã. Parece claro para todos quea seleção francesa é capaz e vencer qualquer equipe – e em qualquer contexto – desde que se entregue por inteira ao jogo. Qualidade, evidentemente, existe. No entanto, às vezes falta um pouco de energia (algo que sobrou, hoje, na segunda etapa).

Já a Bélgica, mais uma vez, amarga “o quase”. A tão talentosa geração belga envelhece, mas não consegue converter sua boa safra em títulos. Ainda assim, trata-se de uma grande equipe, que precisa somente de alguns ajustes. A queda de rendimento nas etapas finais, por exemplo, não é problema de hoje. Contra o Brasil, em 2018, a piora não afetou o resultado no fim. Hoje foi diferente. É preciso, então, entender este fenômeno para que, numa próxima vez, o roteiro seja diferente.

A final da Nations League

No próximo dia 10 de outubro, domingo, a França encara a Espanha pelo título da Nations League, no Estádio San Siro, a partir de 15h45 (de Brasília). Lembrando que Portugal foi o campeão da primeira edição, que aconteceu em entre 2018 e 2019. Antes, no domingo também, a Bélgica entra em campo diante da Itália (às 10h) para brigar pela terceira colocação do torneio.

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