Espanha quebra sequência invicta da Itália e vai à final da Nations League

Na reedição de uma das semifinais da última Eurocopa, Itália e Espanha fizeram uma partida com roteiro bastante distinto daquela ocorrida há três meses. Isso porque a Fúria, superior desde o início, resolveu a parada ainda na primeira etapa. Ferrán Torres foi o autor dos dois gols diante da torcida italiana no Estádio San Siro, que ainda testemunhou a expulsão de Leonardo Bonucci antes do intervalo. Lorenzo Pellegrini, nos minutos finais, deu sobrevida aos italianos, mas o placar não se mexeu mais.

Com este triunfo por 2 a 1, a seleção comandada por Luis Enrique garante classificação para a decisão da Nations League. De quebra, a Espanha coloca um ponto final na impressionante sequência de 37 jogos sem perder da Itália – a maior da história entre seleções. Este foi o primeiro revés da Azzurra desde setembro de 2018. E, tudo isso, apesar de desfalques importantes do lado espanhol, cotado antes da partida como grande azarão do confronto.

A chave da vitória espanhola

O grande fator desequilibrante do jogo foi o LADO ESQUERDO do ataque espanhol. Por lá, a equipe vermelha construiu suas melhores jogadas – incluindo os dois gols. Ainda com a igualdade numérica estabelecida, a Itália já encontrava dificuldades para marcar o adversário no setor. Di Lorenzo e Chiesa, responsáveis por ali, deixaram muitos espaços. Com isso, Mikel Oyarzabal aproveitou as duas oportunidades que teve para servir, com maestria, Ferrán Torres – o melhor do jogo de acordo com o SofaScore, com a nota 8,4.

Na primeira, o atacante desviou o cruzamento (meio que de canela) no cantinho esquerdo. A bola ainda beijou a trave antes de entrar, sem dar chances a Gianluigi Donnarumma. E, por falar no arqueiro da Itália, este ainda quase levou um frangaço quando o placar apontava 1 a 0, mas acabou sendo salvo pela trave – e por Bonucci. Só que o zagueirão acabou se transformando… em vilão. Antes do intervalo, ele foi expulso pelo acúmulo de dois amarelos, resultado de uma reclamação acintosa e uma cotovelada em Busquets. Certamente, o cartão vermelho brecou (e muito) uma possível reação italiana.

Com um a menos, Roberto Mancini tentou manter a mesma formação até a pausa, mas acabou pagando caro. Ferrán Torres, novamente, foi o carrasco italiano. Isso porque o camisa 11 aproveitou mais um passe de Oyarzabal, dessa vez pelo alto, para cabecear com categoria no contrapé do tão vaiado goleiro italiano. Com o marcador apontando 2 a 0 para os espanhois, ambas as seleções se dirigiram aos vestiários.

Chances perdidas

Antes da expulsão de Bonucci, a Itália até criou boas chances. Lorenzo Insigne, inclusive, perdeu um gol feito, praticamente na pequena área, após passe de Emerson Palmieri. A verdade é que a Nazionale repetiu a sua já consagrada estratégia de marcar pressão. E teve sucesso, em alguns momentos, apertando a saída de bola da Espanha. Como resultado, o time de Mancini roubou algumas bolas no próprio campo de ataque, mas pecou na construção das jogadas.

Sem paciência para rodar o jogo, a Itália exagerou nos erros de inversão de bola. Já nas finalizações, a campeã europeia não esteve inspirada como de costume. Na segunda etapa, porém, o panorama se tornou ainda mais dificultado. Com um jogador a menos, a Azzurra sequer pôde competir pela posse de bola. Restou, então, se fechar e observar a Espanha trocar passes na metade ofensiva. A Fúria, por sua vez, não acelerou e, por isso, acabou não matando o jogo. Não foi preciso.

Mancini mexeu bastante, mandou Chiellini a campo e, depois, fez alterações tentando tornar o time mais reativo. Moise Kean, por exemplo, foi para o jogo, mas não modificou o roteiro da partida. Dessa forma, a segunda etapa foi muito mais física do que técnica. Diante de uma atmosfera nervosa em San Siro, a Itália tentou “cavar” uma expulsão da adversária para, ao menos, tentar igualar as ações. Também não conseguiu. Sendo assim, com o resultado nas mãos, a Espanha só precisava fazer o relógio andar até o apito final.

Não faltou luta à Itália!

No entanto, um raro erro espanhol já a poucos minutos do fim reascendeu a chama da partida. Yeremi Pino, de apenas 18 anos, fez um recuo na fogueira, que acabou interceptado por Federico Chiesa. O atacante da Juventus atravessou o campo com a bola e esperou o momento certo para tocar de lado, onde Pellegrini estava. Sem goleiro à frente, o meia da Roma só precisou empurrar para as redes.

O gol foi um prêmio pela valentia da Itália que, apesar da atuação abaixo das expectativas, jamais deixou de lutar. Chiesa, por exemplo, correu o campo inteiro durante os 90 minutos de maneira impressionante. Mesmo com um a menos, a Azzurra não se desanimou. Claro, precisou abdicar da bola, mas sempre consciente dos riscos. No fim, o golzinho de Pellegrini não foi suficiente para alterar o resultado final, mas deixou uma impressão decente para a torcida no San Siro.

Evidentemente, em algum momento a sequência invicta chegaria ao fim. Uma pena para o torcedor da Azzurra que a derrota tenha vindo, justamente, em uma partida que valia vaga na final de um torneio. Ainda assim, o trabalho deve seguir sendo valorizado. Afinal, a equipe foi campeã da Eurocopa e se mantém com um bom padrão de jogo. Infelizmente, hoje, a soma de um adversário inteligente, com um desempenho decepcionante (além da expulsão precoce) fez total diferença.

Grande jogo de Gavi

Apenas 17 anos e 62 dias. Com esta idade, Gavi se tornou o jogador mais jovem a atuar pela seleção espanhola em toda a história. E o meio-campista do Barcelona foi bem em todos os aspectos. Tecnicamente, impecável, ainda encontrou um jeito de mexer com o brio de jogadores adversários muito mais experientes que ele – Verratti e Chiesa que o digam. Presente no campo inteiro, o garoto espanhol incomodou, marcou, fez faltas. De fato, mostrou uma garra impresssionante.

Ou seja, uma exibição de gala de um estreante em jogos internacionais. Um adolescente que mostrou, hoje, que o futuro da seleção espanhola – e do Barcelona, por que não? – podem ser, sim, promissores. É preciso, porém, paciência. No caso da Espanha, os desfalques vieram a calhar. Com esta base bastante jovem, a Fúria se apresenta como uma grande candidata a almejar conquistas grandes no futuro.

A começar, justamente, por este título da Nations League. A Roja enfrenta França ou Bélgica (que duelam amanhã) na grande decisão, no próximo dia 10. E aí, quem vai fazer a final com a Espanha?

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