O melhor Flamengo para a semifinal da Libertadores

Os desafios do Flamengo rumo a mais uma final de Libertadores passam pelo adversário, o Barcelona de Guayaquil, mas também pelos importantes desfalques para o jogo de ida, que acontece nesta quarta-feira, dia 22, no Maracanã. Como montar o melhor time possível para o jogo mais importante do ano sem Filipe Luís e Arrascaeta, dois dos principais jogadores do Rubro-Negro? Que tal a gente brincar de ser técnico do Flamengo?

Olhando de fora, sem o envolvimento diário com treinamentos e atletas, parece mais fácil dizer o que deve ou não ser feito. Não estar lá dentro, com todas as ferramentas possíveis para fazer as melhores escolhas, nos limita bastante, tornando a análise mais superficial, mas jamais nos alijará de tentar destrinchar as possibilidades em busca do que seria o time ideal para o confronto diante da equipe equatoriana.

Há algumas situações que realmente nos parecem insolúveis, como por exemplo, achar alguém capaz de desempenhar o papel de Arrascaeta. Não existe esse jogador no Flamengo. Talvez sequer exista no futebol brasileiro. Mas outras possibilidades se apresentam de forma mais clara e factível, tomando por base o momento dos atletas e os encaixes. Resta ao técnico Renato Gaúcho fazer as opções por aquilo que nos parece mais evidente.

Diego Alves; Matheuzinho, Rodrigo Caio, David Luiz e Ramon; Willian Arão, Thiago Maia, Andreas Pereira e Everton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabi

A escalação citada acima é a que entendo ser a mais interessante para ESTE MOMENTO, tendo em vista os desfalques e o bom (e mau) momento de alguns jogadores. É sempre bom lembrar que aqui a gente faz um exercício quase lúdico do que é certo e errado no Flamengo.

Como diria o outro, vamos por partes. A começar pela dupla de laterais. Não bastasse o fato de Matheuzinho estar pedindo passagem na direita, Isla vive momento de grande instabilidade. O jogador chileno não tem conseguido dar consistência defensiva e tem sido burocrático na construção das jogadas de ataque.

Do outro lado do campo, Renê não voltou bem da lesão sofrida na coxa direita. Inseguro e claramente fora de ritmo, pesa sobre ele, o fato de ser reserva simplesmente de Filipe Luís. A diferença discrepante de nível entre os jogadores escancara a queda de rendimento na fase construtiva do Flamengo. Sem Filipe, o Rubro-Negro perde sua válvula de escape pela esquerda e se torna mais previsível na armação das jogadas. Daí o motivo da opção pelo jovem Ramon. Longe de ser incontestável, mas devido à ausência do titular e da péssima fase do reserva, talvez seja a escolha certa para o momento.

Para a zaga, minha opção por David Luiz ao lado de Rodrigo Caio é simples: ainda que sem ritmo e fora de suas condições ideais, trata-se de um jogador muito acima da média, acostumado a grandes jogos e que, pelos relatos, vem se destacando nos treinamentos. Logo, é um risco que eu assumiria no lugar de Renato Gaúcho. Mas ninguém melhor do que o técnico para saber se o jogador pode ou não fazer sua estreia na próxima quarta-feira. Se for relacionado para a partida, é porque tem condições. Caso seja opção no banco, começaria com Gustavo Henrique.

Por fim, a definição do meio de campo do Flamengo. Sendo direto, Thiago Maia precisa ser titular. Seja de 1º ou 2º homem, o volume de jogo com Maia em campo é outro. Com a ausência de Arrascaeta, fica o ponto de interrogação para Renato Gaúcho. Vitinho já fez bons jogos atuando por trás dos atacantes, emulando as funções do uruguaio camisa 14, mas quase sempre vindo do banco. Nas vezes em que inicia as partidas, tende a ser mais irregular, participando menos das ações ofensivas do time. A outra opção seria Andreas Pereira, que já deixou claro para Renato Gaúcho que prefere atuar como 2º homem de meio-campo. No entanto, é preciso pensar no melhor encaixe para o time, mesmo que isso faça Andreas atuar mais avançado, pisando mais na área.

Volto a dizer: Renato é o técnico, é pago para isso e seus números são muito bons no comando da equipe, mesmo sem praticar um futebol maravilhoso. Mas é preciso ter clarividência para olhar para trás e perceber que a teimosia de alguns foi o que possibilitou sua chegada ao Flamengo. Dizem que a voz do povo é a voz de Deus e ainda que nós, do povão, sempre achemos que tudo é óbvio e simples de ser executado, a missão de escalar um bom time é do treinador. Fazer o simples pode ser a chave do sucesso.

Para fechar a tampa dessa resenha em que me permiti ser técnico por um dia (ou por um texto), o Flamengo precisa de postura, independentemente das peças escolhidas pelo treinador. É indispensável entrar em campo com a fome de títulos da época em que não arrumava nada e era motivo de chacota pelos rivais. O “Malvadão” precisa se fazer presente no Maracanã, em respeito à sua história e a seus torcedores.

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