Da segunda divisão a persistência em David Moyes, os últimos 10 anos do West Ham até a Europa League

É bem verdade que a Premier League tem mudado e muito nos últimos anos. Equipes que antes brigavam para não cair, passaram a incomodar os gigantes. Na última temporada, o West Ham foi um desses times, entrando na briga por competições continentais e, se somando a uma dupla ao lado do Leicester como os rivais do Big Six.

A equipe da capital inglesa há muito tempo não batia de frente com os mais poderosos do país. De um passado com enorme tradição, os Hammers se limitaram nas últimas temporadas a brigarem pela sobrevivência na elite.

Mesmo assim, algumas contratações como os franceses Dimitri Payet e Sébastien Haller deixaram os torcedores empolgados. Entretanto, o primeiro chegou, encantou e logo voltou para o seu clube de coração o Olympique de Marselle. Já o segundo mal teve espaço e logo foi negociado como o Ajax, da Holanda.

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Na temporada 2021/2022, além de disputar as competições nacionais, o West Ham terá pela frente a Uefa Europa League, segunda maior competição de times do continente europeu. As expectativas são grandes, será que o time corresponderá?

Um pouco de West Ham no início da década de 2010

Para entendermos como o West Ham chegou à Europa League via Premier League com uma excelente campanha, é preciso retornar alguns anos no tempo, mais especificamente para o início da última década.

Na temporada 2010/2011, os Hammers amargaram a última colocação no campeonato, sendo rebaixados à Champhioship. O elenco contava com alguns jogadores de certo renome no cenário internacional, com o ex-goleiro da seleção inglesa Rob Green, o zagueiro Winston Red, ainda em início de carreira, e os atacantes Demba Ba e Robbie Keane. Sem falar em um dos maiores ídolos da história recente da equipe, Mark Noble, então com 23 anos formando dupla com Scott Parker.

Naquela temporada, em 38 jogos a equipe somou apenas 33 pontos, terminando com um saldo de gols negativo de 27. Foram sete pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento, o Wolverhampton.

Contando com um elenco bastante reformulado e com a chegada do centroavante Carlton Cole que marcou 15 gols na temporada e o goleiro Manuel Almunia, ex-Arsenal, o West Ham teve no banco de reservas ninguém menos que Sam Allardyce, um dos treinadores mais experientes do futebol inglês e bastante conhecido por trabalhos de reconstrução.

Na Championship, a equipe preciso dos playoffs para garantir seu retorno à elite. Em partida frente ao Blackpool em Wembley, os Hammers venceram por 2 a 1 e conquistara o acesso.

Retorno à elite e mudança de estádio, a segunda metade da década 2010 do West Ham

Tão logo retornou à primeira divisão, o West Ham não conseguiu engrenar na Premier League, nas três temporadas seguintes, jamais passou do 10º lugar, tendo ficado em 10º, 12º e 11º, respectivamente entre 2012/2013 até 2014/2015.

Já na temporada 2015/2016 viveu suas últimas 19 aparições em jogos de Campeonato Inglês no lendário Boleyn Ground, inaugurado ainda no início do século XX, no ano de 1904. Para a despedida do estádio, na melhor do que uma boa campanha para impulsionar o que poderia ser um novo momento.

Com um elenco bastante interessante, que contava com Adrián no gol – vivendo bons momentos, longe do que é hoje no Liverpool –, Cheikhou Kouyaté, Red e Angelo Ogbonna (recém chegado da Juventus) na zaga; Aaron Cresswell e Sam Bryan nas lateais; Alex Song, Victor Moses, Payet e Manuel Lanzini no meio-de-campo; além de Andy Caroll e Emmanuel Emenike no ataque, os comandados de Slaven Bilic alcançaram a sexta posição na tabela.

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Com 16 vitórias e 14 empates em 38 rodadas, os Hammers garantiram uma vaga para a Europa League, um feito um tanto quanto importante tendo em vista as últimas temporadas.

Porém, quando tudo parecia estar melhorando para a equipe londrina, uma mudança de estádio e a demora para adquirir uma boa atmosfera na nova casa culminaram em uma temporada para lá de complicada.

Para o seu retorno as competições continentais, o West Ham foi às compras, trazendo nomes como José Fonte, Havard Nordtveit, Arthur Masuaku, Álvaro Arbeloa, André Ayew, Gökhan Töre, Sofiane Feghouli, Simone Zaza e Jonathan Callegari. Entretanto, o sonho de buscar um título internacional parou na segunda eliminatória da Europa League em uma derrota para o Astra Giurgiu da Romênia.

A temporada que poderia ser de sonho europeu para os Hammers e para Bilic terminou cedo. Na Premier League, a equipe terminou em um modesto 11º lugar, sem quaisquer chances de competições continentais.

O encontro do West Ham com David Moyes

Tão logo iniciou a jornada de 2017/2018 e os péssimos números não teimavam em sair do West Ham, o treinador sérvio foi mandado embora. Para o seu lugar, um conhecido da Premier League, David Moyes ex-Everton e Manchester United.

Após sua saída do Sunderland, o escocês chegou cheio de expectativas para uma equipe que continuava forte no mercado. Nomes como Joe Hart e Pablo Zabalete, ambos ex-Manchester City, João Mário, por empréstimo da Inter de Milão, Marko Arnautovic e Chicarito Hernandez desembarcaram em Londres.

Contudo, em 31 jogos na temporada sob o comando de Moyes, os Hammers venceram somente nove e perderam outras 12 partidas, com uma temporada muito aquém do esperado, o modesto 13º lugar foi o resultado final.

Nas duas jornadas seguintes, o West Ham continuou brigando nas partes inferiores da tabela, com o 10º em 2018/2019 e o quase rebaixamento em 2019/2020, terminando na 16º posição.

A aposta em jogadores desconhecidos e jovens promessas

Mesmo que na época de 2019/2020 os Hammers tenham tido um desempenha aquém do esperado, David Moyes foi mantido no comando, algo que os torcedores não concordavam muito. As cobranças sobre o comandante e, também, na diretoria, aumentaram.

Para se ter uma ideia, em 2019/2020, o West Ham contratou nomes como Pablo Fornals, de 23 anos junto ao Villarreal e Jarrod Bowen, ex-Hull City. Sem falar na chegada do tcheco Tomas Soucek, um dos grandes responsáveis ao lado de Michail Antonio pela permanência na elite. Soucek marcou 3 gols em 13 jogos e Antonio 10 em 26 partidas.

 

Soma-se a esses dois jogadores uma jovem promessa vinda da academia do clube, Declan Rice. Um volante com ótimo poder físico, chegada ao ataque e diversos lances positivos, não atoa em sua segunda temporada como profissional passou a ser um dos capitães da equipe ao lado do lendário Mark Noble.

Já na temporada passada, em 2020/2021, os Hammers foram novamente à República Tcheca buscar outro destaque da liga nacional, desta vez, o lateral-direito Vladimir Coufal foi o escolhido. Além dele, Saïd Benrahma, ex-Brentford foi uma das principais contratações. Já na janela de inverno, Jasse Lingard, encostado no Manchester United desembargou em Londres.

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A estreia no campeonato não foi nada animadora, no Estádio Olímpico de Londres, uma derrota por 2 a 0 para o Newcastle. Todavia, ao término do mês de dezembro, e com 10 rodadas disputadas, o West Ham havia somado 17 de 30 pontos possíveis, um ótimo número para a realidade do clube.

Com Soucek, Antonio e Rice ditando o ritmo da equipe, os Hammers foram crescendo jornada após jornada. Coufal e Boewn, além do lateral esquerdo Cresswell foram outros destaques da equipe que por vezes parecia que garantiria uma vaga na Champions League.

Mas, ao final da jornada, os comandados de David Moyes terminaram em 6º, a frente de tradicionais equipes como Tottenham (7º) e Arsenal (8º), ambos rivais da cidade de Londres. Com 65 pontos e 19 vitórias em 38 rodadas, os Hammers retornaram às competições continentais.

West Ham: Uma possível ameaça em 2021/2022

Para a atual temporada, os Hammers se movimentaram e muito bem no mercado. Alphonse Areola chegou por empréstimo do Paris Saint-Germain; Curtis Zouma foi comprado em definitivo junto ao Chelsea; do futebol do leste europeu, Alex Kral, volante tcheco ex-Spartak Moscou e meia Nikola Vlasic, croata ex-CSKA foram contratados.

Na Europa League, o West Ham caiu no Grupo H ao lado Dinamo Zagreb, Genk e Rapid Viena. Um time entrosado e que aos poucos começa a dar liga, mostrando que pode sim voltar a bater de frente principalmente com Everton, Wolverhampton, Aston Villa e, porque não, Arsenal em uma briga novamente pela UEL, ou, até mesmo, incomodar e beliscar uma Champions League.

Com um novo planejamento e persistência no trabalho do escocês, o West Ham tem tudo para ser uma pedra no sapato dos gigantes por bons anos. Mesmo com a torcida pedindo a saída de Moyes nos últimos anos, o escocês conseguiu reorganizar a casa de dar uma nova cara aos Hammers, agora, é esperar e ver o restante da temporada 2021/2022.

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