Willian: como o jogador pode atuar no Corinthians?

Depois de ter anunciado a contratação na última segunda-feira (30), o Corinthians apresentou oficialmente nesta quarta-feira (1), dia em que completou 111 anos, o meio-campista/extremo Willian, ex-Arsenal e Chelsea. O jogador de 33 anos assinou um contrato com o clube alvinegro até dezembro de 2023 e vai assumir a camisa 10. 

O jogador se transformou na quinta contratação do Corinthians na temporada 2021. O clube alvinegro também trouxe o ídolo Renato Augusto, o meio-campista Giuliano, o atacante Roger Guedes e o lateral-direito João Pedro

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Adaptações e versatilidade 

A palavra que resume Willian é versatilidade. Nos seus últimos anos atuando na Inglaterra, o brasileiro conseguiu se adaptar a diversos modelos de jogo e filosofias dos seus treinadores. Ao todo, o extremo/meio-campista foi comandado por cinco técnicos. José Mourinho, Antonio Conte, Maurizio Sarri, Frank Lampard e Mikel Arteta. Além dos cinco treinadores, Steve Holland e Guus Hiddink – ambos no Chelsea – assumiram o clube de forma interina na temporada 2015/2016. 

Willian é um jogador que pode se encaixar nas duas extremidades. Tanto pela direita quanto pela esquerda. Entretanto, a sua melhor fase na carreira foi atuando pela direita no Chelsea. Como Eden Hazard ocupava o setor esquerdo, o brasileiro era o responsável pelo lado oposto do campo. Além disso, na própria seleção brasileira, o atleta também desempenhava o papel de extremo-direito. 

No entanto, antes de abordarmos como ele pode se encaixar no Corinthians, é importante destacarmos como o jogador vinha sendo utilizado pelo técnico Mikel Arteta nos Gunners.  

Contexto no Arsenal na última temporada  

O Arsenal era uma equipe que estava – e ainda está – em construção. Arteta tem comandado uma equipe recheada de jovens talentos e também de nomes mais experientes, como por exemplo, Lacazette, Aubameyang, Granit Xhaka, Leno, dentre outros. Este era o cenário da última temporada no qual o brasileiro estava inserido. 

No entanto, é válido destacar que Willian não teve muitas oportunidades com o treinador espanhol. Na Premier League foram 25 jogos no total (16 deles como titular), um gol marcado e cinco assistências – líder do time nesse quesito. Além disso, o extremo/meio-campista criou cinco grandes chances e teve 1.3 passes decisivos de média por jogo. 

Com Arteta, Willian mostrou a sua especialidade: ser versátil e se adaptar às situações de jogo. Quando atuava pelo lado direito, o brasileiro era responsável por dar profundidade ao time, mas também por fazer o movimento de fora para dentro (com e sem bola), dialogar com os seus companheiros mais centralizados e dar sequência à posse dos Gunners. 

Mas é importante destacar também que o Arsenal atuava com alas/laterais bem agressivos. Bellerin, Tierney e até mesmo o inglês Saka eram opções para jogar pelos lados e sempre atacavam a profundidade. 

Sendo assim, com a saída de três jogadores na primeira linha de construção (3+1 ou 3+2) os Gunners “soltavam” os laterais. Neste sentido, Willian alternava o seu posicionamento com os alas. No momento em que o brasileiro recebia em amplitude, os laterais apareciam por dentro no meio-espaço e vice-versa. 

Pela direita, Willian utilizava com mais frequência a sua jogada que ficou característica no Chelsea e também na seleção brasileira. Receber aberto, enfrentar o adversário no 1×1 e conseguir chegar ao fundo. No entanto, o extremo também tinha a opção de trocar a direção, conduzir em diagonal, se livrar do seu marcador e finalizar com a perna ruim. 

Já no lado esquerdo, a dinâmica era um pouco mais distinta. Willian recebia menos a bola em amplitude e se posicionava mais no meio-espaço, já que Saka e Tierney são jogadores bem agudos e que chegam ao fundo. Além disso, o brasileiro sempre buscava a associação com o atleta pelo centro, principalmente quando o Arsenal tinha Smith Rowe na equipe. O jovem inglês tem a característica de sempre estar na zona da bola e buscar o jogo. 

Sendo assim, pelo lado esquerdo as triangulações entre extremo, ala/lateral e meio-campista central eram mais evidentes. Criavam superioridade numérica no setor e avançavam com a posse. 

Jogando com o “pé trocado” no lado esquerdo, Willian também utilizava as conduções de fora para dentro. Com a mesma intenção. Fazer uma conexão curta e avançar. O brasileiro pode ser um jogador muito associativo. Algo que se encaixa perfeitamente com os interiores do Corinthians: Giuliano e Renato Augusto. 

Outro ponto a ser destacado são as trocas de posições com o extremo do lado contrário. De acordo com os contextos das partidas, Willian saía da direita, caía pela esquerda e desempenhava os mesmos movimentos explicados acima. 

Em outras ocasiões, Willian jogou centralizado. No duelo contra o West Bromwich pela Premier League, o brasileiro atuou alguns minutos por dentro depois da saída de Smith Rowe

Jogando como um meio-campista central, Willian tinha liberdade para dar apoio na base da jogada, cair na zona da bola e de receber no espaço entre linhas. Com um bom controle de bola e domínio orientado, o atual jogador do Corinthians sempre recebia em condições de dar progressão à posse de bola do Arsenal. 

Além disso, o atleta não conta somente com uma boa orientação no controle de bola, mas também com uma boa postura corporal para receber no entre linhas e criar vantagens sobre o seu marcador. 

Willian: como o jogador pode atuar no Corinthians? 

Pensando no contexto do Corinthians, o time de Sylvinho tem dinâmicas distintas em relação ao Arsenal de Arteta. Desde o esquema de jogo até o posicionamento dos jogadores. No 4-1-4-1 do técnico alvinegro, o Timão utiliza uma saída mais sustentada com a estrutura de 4+1. Os laterais ficam baixos e os interiores têm liberdade para aparecer na base da jogada e oferecer apoio. Principalmente Giuliano. 

No Corinthians, Willian pode atuar como extremo-direito ou esquerdo. Posições que hoje contam com a presença de Gustavo Mosquito e Adson. Roger Guedes é mais um nome que também pode fazer essa função. 

Importante destacar que o momento atual do time alvinegro apresenta mais variações em fase ofensiva. Uma delas é o jogo mais móvel. Adson tem tido liberdade para sair da esquerda e se posicionar nas costas dos meio-campistas adversários e também para trocar de posição com Mosquito. 

Isso pode ajudar Willian. Ter uma equipe com mais associações e movimentos “livres” pode potencializar as suas características. Ainda mais tendo Giuliano e Renato Augusto como interiores. 

Com o extremo caindo pela direita, o Corinthians continua tendo a jogada em profundidade – como com Mosquito – o drible no 1×1 e a finalização. Esta, aliás, é uma ótima virtude de Willian. Arremata bem de longa e média distância e conta com uma excelente bola parada. Seja em faltas laterais, frontais, próximas da área ou cobranças de escanteio. 

Pelo lado esquerdo, o Timão ganha mais um atleta associativo, com boa capacidade de atuar em espaços reduzidos, que conduz de fora para dentro e que pode receber entre as linhas de marcação. A única diferença é que o time de Sylvinho ainda não conta com um lateral / ala que explora o corredor como Tierney / Saka. Fábio Santos atua como um construtor na base da jogada e também não tem a mesma explosão física para ser uma válvula de escape por ali. Lucas Piton poderia ser uma alternativa para o time explorar essa situação. 

Por jogar em um 4-1-4-1, o Corinthians não utiliza um meio-campista central. Sendo assim, para Willian jogar nessa função, Sylvinho teria de adaptar a equipe e escalar o alvinegro com uma nova formação. Entretanto, pelas suas características quando atua pela esquerda, o jogador pode desempenhar a função de ser um articulador ao lado dos interiores, produzir com últimos passes e se aproximar da área para definir. 

Mesmo a sua posição e função sendo uma incógnita, Willian é um jogador que chega para impactar o futebol brasileiro. Dribles, associações, boa finalização, bolas paradas, a nova contratação do Corinthians pode entregar todas essas características e com muita assertividade. Claro que o contexto e as interações podem ser determinantes neste processo de adaptação ao futebol brasileiro.

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