Brasil no ápice do surfe com Ítalo Ferreira

Na madrugada desta terça-feira, 27/07, Ítalo Ferreira fez história. O potiguar conquistou o primeiro ouro do Brasil na Tóquio 2020 e, consequentemente, a também primeira medalha na modalidade que estreou em uma Olimpíada.

Natural de Baía Formosa, Ítalo se tornou o primeiro atleta da história do Rio Grande do Norte a conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

Uma vitória que é significativa também para o esporte no Brasil. Antes, restritamente às revistas e sites, era praticamente impossível uma brecha sobre o esporte na televisão, em especial a aberta. Em Tóquio, tivemos um exemplo do porque desta dificuldade de espaço: ondas ruins, mar dificultando a melhor performance dos surfistas e antecipação das baterias finais por conta da aproximação de um tufão.

O surfe depende da natureza para acontecer e, no mundo da televisão, onde cada segundo vale ouro, essa liga entre os dois lados por aqui parecia estar bem distante de acontecer.

No Brasil, em 2006 começava a surgir canais totalmente dedicados a esportes de ação em canais fechados. Porém, foi apenas em 2014, quando Gabriel Medina conquistou o primeiro título mundial do Brasil no surfe, que o esporte começou a receber mudanças significativas em seu tratamento no país. As transmissões gratuitas disponibilizadas pelo WCT, o Circuito Mundial, pela internet também contribuíram demais para tal crescimento.

Os Jogos Olímpicos deram ao surfe o espaço que tanto se esperava na tv aberta. A transmissão da final de Ítalo Ferreira contra o japonês Kanoa Igarashi rendeu à Globo cinco pontos de audiência no PNT (nacional), que é um crescimento de 67% na média da faixa das 3h46m às 4h22m. Além de toda a explosão de comentários nas redes sociais.

Em meio a grande geração de surfistas brasileiros que temos em atividade, ter um deles no ápice da modalidade logo em sua estreia olímpica, da maneira que foi, é um ponto de esperança para um crescimento ainda maior do interesse e cobertura do esporte no país.

 

BRASILEIROS NA TÓQUIO 2020

O Brasil embarcava para o Japão como forte candidato para buscar medalhas na estreia do surfe nas Olimpíadas, tanto no masculino quanto no feminino.

Além de Ítalo, atual campeão do mundo e vice-líder do circuito mundial, o país era representado por Gabriel Medina, número 1 do ranking e dono de dois títulos mundiais.

O bicampeão superou a dificuldade das ondas de Tsurigasaki Beach e, com notas contestadas pelas redes sociais, acabou sendo eliminado para o surfista local Kanoa Igarashi, que terminou com a prata. Gabriel encerrou sua participação nas Olímpiadas na  4° posição, após perder a disputa pela medalha de bronze para o australiano Owen Wright, novamente com polêmica entre as notas dadas pelos juízes para o aéreo do brasileiro na bateria.

Entre as mulheres, a gaúcha Tatiana Weston-Webb, que era forte candidata para pódio, acabou sendo eliminada nas oitavas para japonesa Amuro Tsuzuki.

Já Silvana Lima, a brasileira mais bem colocada na competição, se despediu de Tóquio nas quartas, ao cruzar o caminho de Carissa Moore, tetra campeã mundial e atual líder do circuito. A estadunidense fez a final contra a local Tsuzuki, conquistando o ouro e se tornando a primeira mulher campeã olímpica na história.

 

 

 

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