Superliga: O que pensam os grandes nomes do jornalismo esportivo? (Parte 1)

Confira com exclusividade a opinião de alguns colegas do jornalismo brasileiro sobre a criação da Superliga.

Gustavo Villani (Globo)

Um absurdo. Mais um exemplo de desespero e ganância, em meio a tantas perdas devido à pandemia. Quando a gente mais precisa de união de todos, poucos pensam em si para tentar reparar perdas econômicas. Um golpe no futebol.

André Plihal (ESPN)

Acho acima de tudo incrível que dirigentes de clubes tão grandes tenham arranhado reputação e imagem das instituições dessa forma por algo que não conseguiu sustentar-se por 5 dias. Só “conseguiram” desgaste e um fracasso histórico. No final das contas fortaleceram as competições já existentes. O lado bom dessa história toda foi ter ficado provado que o torcedor de futebol segue tendo uma força sobrenatural. E também gostei da forma como muitos jogadores e treinadores expuseram suas posições, sem medo de retaliação.

Leonardo Bertozzi (ESPN)

A criação de um grupo fechado para uma competição que ignora o mérito esportivo era uma ideia que a comunidade do futebol tinha obrigação de repudiar de forma veemente, como fez. A arrogância e falta de organização dos clubes transformou a Superliga num alvo fácil, e não surpreende que tenha sido abatida.

Jorge Nicola

Acho uma grande porcaria e fiquei super satisfeito de que Superliga ter subido no telhado. Torneio elitista, que levava e consideração apenas os ganhos financeiros, ignorando os méritos esportivos.

Thiago Simões (ESPN)

É difícil imaginar que os donos destas equipes tenham dado um ponto sem nó, depois de tudo o que aconteceu. É impossível imaginar que um passo tão grande seria dado e, do nada, sumiria do mapa, do dia para a noite. Todo o enredo gera dúvidas e teorias conspiratórias. Quem sabe, um dia, saberemos o que realmente aconteceu. Nossa certeza é de que o esporte ainda respira. Em volta do dinheiro e dos interesses, o futebol ainda bate forte no coração de quem realmente o ama. Dificilmente ele será destruído.

Arnaldo Ribeiro

“O futebol é o esporte mais poderoso do planeta . E não pelo dinheiro que movimenta. Mas por sua capacidade de inclusão e mobilização. A reação imediata de jogadores, treinadores, clubes, imprensa e, sobretudo, fãs sepultou a ideia elitista da Superliga no nascedouro. O futebol não é de poucos. É de todos. Fica a lição“

Gian Oddi (ESPN)

A superliga da forma como foi proposta era evidentemente absurda, e foi legal perceber que, apesar da absurda quantidade de dinheiro envolvido, a ideia durou tão pouco. Foi interessante notar que a opinião pública e dos torcedores ainda têm algum valor. Não estou dizendo que Fifa e Uefa são santas e nem que o futebol de hoje seja um exemplo de democracia e solidariedade, pelo contrário. Ninguém discute o poder que o dinheiro tem no modelo atual do futebol. Mas o que esse clubinho de privilegiados queria fazer era levar esse poder a patamares nunca antes vistos, excluindo completamente os critérios técnicos, esportivos, que são a essencial do futebol.

Gustavo Hofman (ESPN)

A Super Liga foi uma tentativa fracassada de golpe. Por trás de tudo que aconteceu nesses insanos dias, sempre esteve a briga por poder. Tentativa de golpe promovido pela elite contra a própria situação, jamais houve qualquer intenção ideológica. Confederações e federaçõees rapidamente reagiram, movimento certamente esperado pelos 12 clubes. Não imaginvam, no entanto, reprovação mundial tão forte. A comunidade do futebol se levantou contra a tentativa de acabar com o esporte mais popular do planeta. Há muito a se continuar fazendo, mas o torcedor, mais uma vez, mostrou que é a alma do futebol.

Victor Canedo (Globo Esporte)

A Superliga, como ideia, é inevitável. Já faz algum tempo que os clubes estão de olho numa fatia maior das receitas e talvez tenham descoberto que o melhor caminho é esse. Mas não da forma como foi feito. Não nos moldes propostos, sem um modelo de acesso/rebaixamento, fechando a festa para poucas pessoas. Imagino que daqui a cinco anos estes mesmos clubes voltem mais unidos e fortes contra as represálias que possam surgir. E terão que fazer algumas concessões nas suas regras. Caso contrário imagino que a vontade das entidades e da torcida volte a prevalecer. Até lá que tratem de recuperar suas imagens.

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