Itália vence a terceira em estreia de Rafael Tolói

A Itália venceu a terceira partida pelas Eliminatórias com direito à estreia do ítalo-brasileiro Rafael Tolói. Diante da Lituânia, a Squadra Azzura atuou em um esquema diferente, criou inúmeras chances e resolveu o jogo na 2ª etapa. Gols de Sensi e Immobile, mais um placar de 2 a 0 e liderança do grupo C com 100% de aproveitamento.

Time alternativo

Atuando pela terceira vez em seis dias, a Itália foi a campo no Estádio LFF, em Vilnius, com várias mudanças promovidas por Roberto Mancini. Inclusive no desenho tático. Fugindo do 4-3-3 tradicional, o treinador armou a Itália em um 3-5-2 com Bastoni, Mancini e Rafael Tolói na linha de zaga. À frente, Bernardeschi iniciou o jogo como ala-direito, na companhia de Pessina, Locatelli, Pelegrini e Emerson Palmieri. No ataque, El Shaarawi e Immobile.

Donnarumma foi o ÚNICO jogador repetido em relação ao último jogo, diante da Bulgária. O goleiro do Milan, inclusive, atuou nas três partidas dessa data FIFA. Portanto, Mancini não teve receio de mesclar bastante o time, tendo em conta que a Lituânia era o adversário mais fraco a ser enfrentado neste momento.

Jogo muito faltoso

No geral, o duelo desta quarta-feira (31) entre Lituânia e Itália foi extremamente faltoso. Especialmente no 1º tempo. Ambas as equipes não tiveram nenhum constrangimento em parar o adversário na base da pancada. E foram muitas faltas duras que, por vezes, comprometeram a dinâmica do confronto.

O resultado? 27 faltas ao todo (14 da Lituânia e 13 da Itália), além de seis cartões amarelos. Números incomuns quando falamos de futebol europeu e de Eliminitórias para Copa. Para a Squadra Azzurra, a má notícia é que Locatelli está suspenso do próximo jogo por conta de mais cartão recebido nesta quarta.

Martelando o adversário

A Itália finalizou incríveis 29 vezes ao longo de todo o duelo – 11 delas no gol. Na 1ª etapa, a equipe teve mais dificuldade em encontrar os espaços na defesa adversária. As melhores jogadas saíram pelo lado esquerdo, com a participação de Emerson Palmieri, que inclusive acertou uma bela finalização, defendida pelo goleiro lituano. Sem gols nos primeiros 45 minutos, o jogo foi para o intervalo em um ritmo mais morno.

A sorte da Itália foi marcar logo aos 2 minutos da etapa final. Sorte, mas também com méritos a Roberto Mancini, que mexeu na equipe ainda no intervalo. Nos dois jogos anteriores, o treinador demorou mais a realizar alterações, até pela vantagem já estabelecida no placar. Dessa vez, ainda com o empate persistindo, percebeu que era preciso mudar logo de cara o panorama da partida no 2º tempo.

E um dos substitutos foi quem inaugurou o marcador. Stefano Sensi, que entrou no lugar de um discreto Pellegrini, acertou um chute de canhota da entrada da área. O goleiro ainda tocou na bola, mas ela morreu nas redes da seleção lituana. Adquirir a vantagem logo no início foi primordial para a Itália.

Dali em diante, o time encontrou os espaços mais facilmente. E perdeu MUITOS gols. Realmente, foi uma chuva de chances desperdiçadas, principalmente com Immobile. O goleador da Lazio não estava em um dia feliz. Perdeu gols com a perna direita, perna esquerda, de cabeça…

Em outras oportunidades, Svedkauskas, o goleiro da equipe mandante, foi seguro e evitou o pior. A criação, portanto, não foi um problema para a Azzurra no jogo desta quarta-feira. Vale, apenas, ficar de olho no aproveitamento das chances. Finalizar 29 vezes e marcar apenas dois gols é uma proporção muito discrepante. Em duelos contra equipes mais perigosas, perder oportunidades de matar o jogo pode custar vitórias.

Mas, no fim, tudo deu certo. Ciro Immobile ainda conseguiu seu golzinho (o oitavo em eliminatórias) em cobrança de pênalti já nos acréscimos da 2ª etapa. O camisa 17 respirou aliviado com o gol, mas claramente deixou o campo ainda um pouco amargurado com as outras chances jogadas fora.

Estreia de Rafael Tolói

Para aqueles que estavam aguardando pela estreia do zagueiro Ítalo-Brasileiro, seu desempenho certamente não decepcionou. Jogando aberto pela direita na linha de três defensores da Itália, Rafael Tolói se tornava, às vezes, praticamente um lateral-direito que assessorava Federico Bernardeschi.

O camisa 6 fez uma partida regular, trabalhando bem a bola, com passes eficientes e sem invenções. Na parte da marcação, teve velocidade para acompanhar as jogadas e fechou bem os espaços. Num todo, a Itália sofreu mais do que o necessário defensivamente, apesar das limitações da Lituânia no ataque. Na maioria das vezes, foi a Azzurra que falhou e concedeu os contragolpes. De fato, a mudança no esquema dificultou um pouco a movimentação dos jogadores, mas nada que comprometeu o resultado.

No segundo tempo, a Lituânia assustou quando o placar ainda marcava 1 a 0 a favor da Nazionale. Em um dos lances, o ataque do time da casa fez uma investida pelo lado direito da defesa da Itália, que acabou em cruzamento para a área onde Tolói estava posicionado. O zagueiro fez bem a cobetura e dificultou a finalização do atacante, que acabou parando em Donnarumma.

De qualquer forma, vale elogiar Mancini pela coragem em buscar um esquema diferente de jogo. Não é porque as coisas estão dando certo de uma maneira, que os testes se tornam inválidos. Creio que um ponto a melhor seja a exposição dos zagueiros. Quando a Itália jogar com uma linha de três atrás, seja Tolói, Bastoni, Mancini ou qualquer outro, é preciso cuidar melhor dos espaços entre meio de campo e defesa.

Melhor impossível!

Três jogos e três vitórias por 2 a 0. É dessa forma que a Itália iniciou a caminhada em busca do retorno a uma Copa do Mundo. Nada mal, não é?

Escalações diferentes, esquemas distintos e muita variação tática. A equipe de Mancini é muito bem aplicada e taticamente impecável. Não à toa, a sequência invicta agora aumenta para 25 jogos, igualando a segunda melhor marca da história da seleção. Para bater o recorde, são precisos mais seis jogos sem derrota a partir de agora. Um objetivo bastante plausível.

Mas, antes de pensar em recordes, é preciso jogar bem. Como a Itália vem fazendo. Um esquema muito bem definido de jogo, com um setor ofensivo veloz e direto. A equipe não pestaneja com a bola no pé. Já na retaguarda, uma solidez defensiva digna das melhores seleções italianas da década. Com mais um jogo “em branco”, agora são seis seguidos sem sofrer gols.

Li muitas pessoas desdenhando da Itália por conta da convocação de Rafael Tolói, um zagueiro que nós, brasileiros, conhecemos bem. Me pareceu uma questão de completo preconceito. Essas pessoas certamente não estão assistindo aos jogos recentes da Azzurra. Pode não ser mais um time com Maldini, Cannavaro ou Nesta, mas o sistema defensivo funciona tão bem quanto sempre. Talvez até melhor. Neste momento, o senso coletivo fala mais alto que qualquer peça.

Somado a isso, Tolói vem fazendo por merecer na Atalanta. O zagueiro de 30 anos conquistou sua vaga para a seleção nacional com méritos. Assim como a Itália, pela bola que está jogando atualmente, também merece estar no Catar no ano que vem.

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